Luislinda Valois – A Primeira Juíza Brasileira (Negra)

Meninas, me perdoem… 😦 quando passou o dia 8 de março de 2012, Dia Internacional da mulher, eu fiz uma mera menção à data por aqui, mas não aproveitei a oportunidade pra expressar toda a minha admiração por essa criação extraordinária de Deus. Sem desprezar de vista as devidas exceções, que são poucas, a mulher em si é um ser magnífico e dizem os bons pensantes que é por isso que Deus a fez em segundo lugar. Pois antes de toda obra prima, há um esboço.

Começando com uma série que chamarei de Grandes Mulheres [independentes de serem gordinhas ou não rsrs] segue a história de Luislinda Valois. Apreciem sem moderação!

A juíza Luislinda Valois é conhecida em todo o mundo por ter sido a primeira magistrada afrodescendente do Brasil. No Dia da Consciência Negra (20 de novembro) ela foi uma das principais homenageadas no evento realizado na Praça Castro Alves, em Salvador, para celebrar a negritude.

Mas, ao que parece, tudo isso não vale nada na capital da Bahia. Ao chegar na entrada do camarote, instalado na Praça que leva o nome do poeta abolicionista, ela foi barrada pela segurança. A alegação foi de que a juíza estava sem credencial.

“Mas, eu sou a homenageada”, afirmou. Depois do momento constrangedor, a situação foi resolvida. E mesmo com o infortúnio, Luislinda Valois disse à imprensa que tratava-se de um momento único em sua vida.

Santa de casa 

A juíza baiana Luislinda Valois, 66, decretou a primeira sentença aos 9 anos, numa aula de matemática. A filha de Luiz, motorneiro de bonde (responsável por recolocar o carro elétrico no trilho), e da costureira Lindaura estava contente com o compasso de madeira que seu pai havia comprado à custa de muito suor.

Quando o professor viu que o material não era de plástico, soltou: “Você não devia estar estudando, e sim cozinhando feijoada para branca!”. Ainda hoje, 57 anos depois, os olhos da primeira juíza negra e de cabelo rastafári do Brasil se enchem de lágrimas ao lembrar da cena que definiu seu futuro: “Vou ser juíza para te prender!”, sentenciou.

Luislinda não é mulher de desonrar palavra, mas resolveu usar o poder com gente mais precisada.

Lavadeira e miss

Filha de Iansã, orixá do candomblé que simboliza a encarnação de tempestades e raios, ela criou, em 2003, o projeto Balcão de Justiça e Cidadania (em parceria com a Fundação Norberto Odebrecht), que resolve conflitos de populações de bairros pobres de Salvador, áreas de remanescentes dos quilombos e comunidades indígenas.

Por feitos como esse, tem passagem livre em lugares como o bairro da Paz, a região mais violenta da capital baiana. Mas não é de agora que Luislinda gosta de desafio. Aos 7 anos, lavava fraldas para pagar o curso de datilografia. Aos 15, com a morte da mãe, virou chefe da casa que dividia com três irmãos e o pai.

Na escola, era a primeira da sala. Antes de cursar Direito, foi eleita Miss-Mulata Bahia e estudou teatro e filosofia. Em 1991 passou em primeiro lugar em um concurso nacional para a Advocacia Geral da União (AGU). Virou juíza em 1984 e até hoje não abre mão de seus colares de conta do candomblé nas audiências. “Só de olhar, sei se uma testemunha vai mentir”, garante.

Negra, pobre, divorciada e rastafári
Luislinda já não participa dos projetos que criou, escreve um livro sobre a influência negra nas metrópoles e passa férias na casa do único filho, o promotor de justiça Luis Fausto, em Aracaju (SE), com suas duas netas. Com a consciência apoiada num confortável travesseiro, ela dorme tranqüila.

Em casa Luislinda sempre falou para eles que ser negro é maravilhoso. Mas também que não era para deixar ninguém tomar conta deles. “Sou muito séria nas minhas posições. Não posso vacilar, afinal sou negra, pobre, vim da periferia, sou divorciada e ainda sou rastafári”, brinca.
A autora do livro O negro no século XXI, publicado em maio deste ano pela Juruá Editora. A obra reúne artigos sobre temas variados como cultura, educação, políticas públicas, justiça social e religião. Todos mediados pela experiência negra no país pós-escravidão.
Além de primeira juíza negra brasileira, Luislinda também foi a primeira a dar uma sentença tendo como base a Lei do Racismo. Foi a ação movida por Aila Maria de Jesus, que se recusou a abrir a bolsa num supermercado, depois de ter sido acusada injustamente de ter roubado um frango e um sabonete.

A trajetória da magistrada impressionou a jornalista paulista Lina de Albuquerque, autora do livro Recomeços, que reúne histórias de pessoas que foram capazes de reconstruir a vida diante de uma situação adversa. Depois de fazer um pequeno perfil da baiana para a publicação, Lina está escrevendo a biografia dela, que deve ser lançada até o final do ano.

* Dados colhidos nos sites da Revista TPM, da Juruá Editora, dos jornais Bahia Notícias e Correio 24 horas. Imagem da Revista TPM.

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