Família: Fonte de Força

imagem ilustrativa

Ultimamente tenho sido posto de frente com a vida. Talvez seja fase na qual eu precise aprender sobre alguma coisa… sobre prioridades, por exemplo, sobre amor, sobre tempo. Hoje mesmo conversando com uma amiga ela me fez lembrar da canção de Renato Russo: “É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã. ” Li um texto que exemplifica muito bem isso tudo. É vida purinha o que a Kell expressa aqui:

Família: Fonte de Força

(Eu escolhi um título para o relato dela)
Por Kell Patrícia

”Que almoço e começo de tarde abençoado, íamos assistir um documentário sobre o Câncer, ai começou as brincadeiras na rua, com pula pula,escorredor e som altíssimo ( vereador querendo votos) ai minha mãe diz:- Esquece o filme vamos falar cara a cara o que tem acontecido..SILÊNCIO no ar…ela continua:- Vai ter um dia que vamos ter que falar sobre isso mesmo,meu Pai começa a chorar e todos nós também.
Eu,meus irmãos,minha cunhada e meu sobrinho sentamos no chão da cozinha e ela começou a contar tudo que tem sentido e como imagina que será daqui pra frente,meu sobrinho levanta e diz:- Eu tenho uma raiva porque DEUS só leva e deixa doente quem a gente ama!…minha mãe pega ele pela mão e diz:- Não Lipe, não fala isso DEUS fica triste com você, ele fala :- Eu,que estou triste com ele!

Minha mãe abraça ele e continua falando :- DEUS ama a gente de uma forma que deixa a gente vir só de passagem,quando ele sente muita saudade leva a gente,e pode ser através de uma doença,um assassinato,ele só fica brava com quem tira a própria vida,ai ele deixa eles de castigo,mas daqui um tempo estaremos todos juntos meu amor,todo mundo que partiu está lá esperando a gente chegar e vamos ficar todos juntos novamente,o Lipe questiona e o inferno Vó ? ..e ela continua :- o inferno é a miséria,o frio,a fome e a falta de amor entre as famílias esse é o inferno, lá em cima é só Glória.

Meu pai chorando, assim como todos falou:- É muita injustiça,eu cego,você doente e minha mãe nem deixou ele terminar e disse:- NÃO RECLAMA VEÍO,OLHA A SUA VOLTA TEMOS TUDO QUE PRECISAMOS AQUI,SENTADOS NO CHÃO!”

O que eu quero deixar aqui contando pra todos o nosso almoço?? – SIMPLES, DEUS PODE PERMITIR QUE ME TIREM TUDO,POIS ELE TEM ME DADO O MELHOR ESCUDO CONTRA O MUNDO..A FAMÍLIA,OBRIGADO SENHOR, EU TE AMO ! ♥

Experiências Pessoais… Vivências…

Uma vez me perguntaram:
Pergunta: Porque só escreve coisas sobre amor, sentimentos.. porque não escreve sobre outras coisas, sei lá,

mais “alegres” ?
Resposta: Porque eu só escrevo sobre o que realmente conheço :))

por Eduarda Medeiros

Cada um escreve o que tem dentro de si. Seja o que já viveu, o que gostaria de viver ou…ou. [risos] Somos tremendamente livres de posse da palavra.

Reflexões Curtas

Todo canalha tem coração! Mas isso não quer dizer que eu tenha de tentar descobrir isso na prática.

Não meto minha mão no fogo por ninguém, nem por mim mesma. Porque eu me queimaria à toa?

Encarnação Involuntária – Clarice Lispector

Tem muita gente por ai que copia e cola frases de Clarice Lispector no facebook, no msn e afins, mas essas pessoas podem nunca ter lido . Eis aqui uma oportunidade boa, um texto que eu considero lição de vida pra quem precisa se entender melhor e o melhor ainda, entender o outro – pelo menos dentro de um limite.

O texto a seguir é de Clarice Lispector e se chama Encarnação Involuntária:

“Às vezes, quando vejo uma pessoa que nunca vi, e tenho tempo para observá-la, eu me encarno nela e assim dou um grande passo para conhecê-la. E essa intrusão numa pessoa, qualquer que seja ela, nunca termina pela sua própria auto-acusação: ao nela me encarnar, compreendo-lhe os motivos e perdôo. Preciso é prestar atenção para não me encarnar numa vida perigosa e atraente, e que por isso mesmo eu não queira o retorno a mim mesmo.

Um dia no avião…ah, meu Deus – implorei – isso não, não quero ser essa missionária!
Mas era inútil. Eu sabia que, por causa de três horas de sua presença, eu por vários dias seria missionária. A magreza e a delicadeza extremamente polida da missionária já haviam me tomado. É com curiosidade, algum deslumbramento e cansaço prévio que sucumbo à vida que vou experimentar por uns dias viver. E com alguma apreensão, do ponto de vista prático: ando agora muito ocupada demais com os meus deveres e prazeres para poder arcar com o peso dessa vida que não conheço – mas cuja tensão evangelical já começo a sentir. No avião mesmo percebo que já comecei a andar com esse passo de santa leiga: então compreendo como a missionária é paciente, como se apaga com esse passo que mal quer tocar o chão, como se pisar mais forte viesse prejudicar os outros. Agora sou pálida, sem nenhuma pintura nos lábios, tenho o rosto fino e uso aquela espécie de chapéu de missionária.
Quando eu saltar em terra provavelmente já terei esse ar de sofrimento-superado-pela-paz-de-se-ter-uma-missão. E no meu rosto estará impressa a doçura da esperança moral. Porque sobretudo me tornei toda moral. No entanto quando entrei no avião estava tão sadiamente amoral. Estava, não, estou! Grito-me eu em revolta contra os preconceitos da missionária. Inútil: toda a minha força está sendo usada para conseguir ser frágil. Finjo ler uma revista, enquanto ela lê a Bíblia.
Vamos ter uma descida curta em terra. O aeromoço distribui chicletes. Ela cora mal o rapaz se aproxima.
Em terra sou uma missionária ao vento do aeroporto, seguro minhas imaginárias saias longas e cinzas contra o despudor do vento. Entendo, entendo. Entendo-a, ah, como a entendo e ao seu pudor de existir quando está fora das horas em que cumpre sua missão. Acuso, como a missionariazinha, as saias curtas das mulheres, tentação para os homens. E, quando não entendo, é com o mesmo fanatismo depudorado dessa mulher pálida que facilmente cora à aproximação do rapaz que nos avisa que devemos prosseguir viagem.
Já sei que só daí a dias conseguirei recomeçar enfim integralmente a minha própria vida. Que, quem sabe, talvez nunca tenha sido própria, se não no momento de nascer, e o resto tenha sido encarnações. Mas não: eu sou uma pessoa. E quando o fantasma de mim mesma me toma – então é um tal encontro de alegria, uma tal festa, que a modo de dizer choramos uma no ombro da outra. Depois enxugamos as lágrimas felizes, meu fantasma se incorpora plenamente em mim, e saímos com alguma altivez por esse mundo afora.
Uma vez, também em viagem, encontrei uma prostituta perfumadíssima que fumava entrefechando os olhos e estes ao mesmo tempo olhavam fixamente um homem que já estava ficando hipnotizado. Passei imediatamente, para melhor compreender, a fumar de olhos entrefechados para o único homem ao alcance da minha visão intencionada. Mas o homem gordo que eu olhara para experimentar e ter a alma da prostituta, o gordo estava mergulhado no New York Times. E meu perfume era discreto demais.
Falhou tudo.” (Clarice Lispector)