Querida Ana Paula

A Mulher de Ló - ilustração baseada na mensagem do culto das mulhers

Querida Irmã Ana Paula Valadão,

Venho por meio desta postagem demonstrar a minha profunda tristeza diante da mensagem que acabei de ouvir/ver, que foi ministrada no dia 31 de Outubro de 2012, no culto das mulheres. Cheguei até essa mensagem porque vi uma pequeno trecho de menos de 2 minutos onde fica evidente um comentário seu sobre pastores que são gordos e irmãs que não fazem jejum. Tal comentário é sua opinião pessoal, não é mesmo? Porque não há nada na Bíblia que nos ensine sobre ser errado ser gordo ou magro. A Bíblia nos ensina sobre glutonaria:

“Não exagere na comida, controle seu apetite!” Provérbios 23:2Bíblia Viva

Há outras passagens no Novo Testamento (Lucas 21:34, Romanos 13:13 e 1 Pedro 4:3) que mencionam a questão do auto-controle relacionado ao apetite por alimentos ou satisfação de outras necessidades do corpo ou da alma.

Para não pecar em lhe julgar precipitadamente por um trecho de menos de 2 min, o que vi inicialmente, busquei pela pregação completa e para meu desgosto maior a coisa ficou mais feia ainda pois em dado momento, a Ir. Ana Paula compartilha uma experiência pessoal vivida com seu esposo no qual ele lhe faz um ELOGIO baseado num trecho de desenho animado onde um personagem declara sua preferência amorosa pela hipopótamo. Comentou ainda sobre um tal anjo da lipoaspiração, em tom de piada. Creio que tal discurso caberia muito mais num show de piadas stand up, e daqueles tipos onde tem piadinhas nocivas que são politicamente incorretas, que nos fazem rir, mas fazem doer no coração dos que são tachados por motivo de piada. A gente não sabe o como cada coração vai receber o que dizemos, mas precisamos ter o mínimo de cuidado ao falar em púbico. Nem todos tem a obrigação de ter seus corações vestidos em uma armadura, ou quando não já estarem com suas almas fortalecidas para receber um golpe assim. Principalmente se o golpe acontece com palavras que são ouvidas dentro da igreja, ou fora dela… onde a palavra possa chegar, principalmente hoje em dia por meio da internet. Me desculpe se estou entendendo tudo errado, mas a forte impressão que ficou foi essa.

Tenho de lhe dizer, sua mensagem me lembrou o trecho de Eclesiastes 10:1.

“Se alguém colocar moscas mortas num vidro de perfume, ele acabará cheirando mal! Assim, um pequeno erro pode destruir muita sabedoria e honra.”

Eclesiastes 10:1  – Bíblia Viva

Saiba que esses trechinhos mencionados em sua mensagem serviram como a tal mosca que estraga o perfume. Enquanto escrevo esse texto meu coração luta para não sentir mais raiva do que você disse. Porque eu sei o quanto dói dentro do coração de algumas pessoas ter um peso além do padrão estabelecido pela sociedade como aceitável. Serviu muito mais como desserviço cristão do que como motivação pra mudança o seu discurso. Ministrar a Palavra serve pra qual objetivo? Salvar almas? Como fazemos isso? Incitando dor, raiva, indignação e ira e sem ser por causa do confronto com o pecado? Eu sei que se pregarmos o Evangelho como ele é, isso pode incitar a ira dos ouvintes se os mesmos se sentirem tocados em seus pecados e não estiverem dispostos a uma mudança naquele momento. Mas as emoções que seu discurso sobre a gordura das pessoas causou, não foram semelhantes aos que sentimos quando o Espírito Santo nos toca procurando nos mudar/transformar/tornar novas criaturas.

Você não acha que a sua mensagem teria muito mais efeito se pregada com a intenção de chamar para o amor de Deus ao invés de constranger por causa do peso? Não digo da mensagem toda, mas só do trecho que me toca.

Tenho muitos amigos e amigas que estão num peso acima do que se considera aceitável em nossa sociedade. Alguns sofrem problemas de saúde por causa disso e procuram aos seus modos resolver isso. Alguns sofrem consequências de uma vida dilacerada por um lar onde foram rejeitados desde cedo, inclusive por seus próprios pais que os deveriam aceitar com amor como são. Alguns desses meus amigos pediram que eu me manifestasse sobre a sua mensagem. Eu não poderia simplesmente engrossar o coro dos descontentes e não lhe dizer que muitos deles ainda não conhecem a Cristo, como você conhece. E eu gostaria muito mais de estar escrevendo esse texto aqui com um outro conteúdo, do tipo: “Olha eu ouvi amigos meus dizerem de sua mensagem que mudou a vida deles e agora querem conhecer um pouco mais desse Jesus do qual se fala tanto.   

Esse meu blog aqui tem por intenção ajudar no processo de aceitação pessoal, a partir de um ponto de vista de que somos preciosos/preciosas como ser humano. Sei que amar a si mesmo faz parte do cumprimento do mandamento divino: Amar a Deus sobre todas as coisas, amar ao próximo como a si mesmo. Eu posso me amar por ser magro ou gordo, creio que isso é aceitável diante de Deus. Mas não vejo como um ato de amor, dizer que por ser magro ou gordo sou melhor do que alguém que é diferente de mim. Considero as partes mencionadas em teu discurso como um ato de desamor. O mundo está cheio de uma pressão nada amorosa para com as pessoas. Muitas vezes impondo um padrão para o qual seus corpos e aparências não correspondem. Muitas vezes esse padrão de pensamento não amoroso adentra a Igreja. Adentra e corrompe o modo de pensamento cristão, nos pondo a pensar em coisas que não são o foco do Evangelho em si e acabam sendo perda de tempo, não valorização da prioridade espiritual no serviço cristão. Sobre isso, tenho a dizer que também preciso melhorar mais e não negar o meu chamado; mas estou a caminho assim como você já está em projeção bem maior que a minha.

Como você mencionou em sua mensagem, estou tendo de exercer o ato de perdão. Eu lhe perdoou por ter tido um comentário infeliz, insensível e nada condizente com o Evangelho de Cristo. Todos cometemos deslizes. No momento eu não sou 100% santo, tenho minhas falhas. Se não fosse pela graça de Cristo eu não poderia me achegar a você para escrever o que está aqui. Só queria que você soubesse dos efeitos de sua pregação aos corações de pessoas que eu amo muito, e junto as quais tenho me esforçado para fazer mudar a visão que elas possam ter de si mesmas, quando não se amam o suficiente por serem gordas. Peço a Deus que lhe dê sabedoria de hoje em diante pra que suas palavras nas ministrações tenham mais de Deus e menos de suas opiniões pessoais. Porque no final das contas, como ministra do Evangelho, o seu serviço deve ser esse, edificar vidas por meio da Palavra de Deus e não afastar pessoas de Cristo. Já existe muita pressão no mundo para afastar as pessoas de Deus. Sua voz não precisa ser emprestada pra esse tipo de desserviço.

Esperando sinceramente que reconsidere as suas palavras e mais uma vez se deixe nas mãos de Deus.

Leonardo Ladislau

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4 respostas em “Querida Ana Paula

  1. Pingback: Pedido de Perdão (Resposta) | Eu, Gordinha

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