O Velho, O Menino e o Burro

Numa tarde bem ensolarada, um velho, um menino e um burrinho começam a atravessar uma longa rua de chão batido numa cidadezinha muito amigável por causa do convívio dos seus moradores.

Caminhavam humildemente: o velho em cima do burrinho e o menino a pé puxando-o pela corda. Quando eles já haviam andado poucos metros dessa rua passaram perto de um mercadinho onde várias senhoras distintas e muito trabalhadoras começaram a comentar:

– Que velho mais folgado, permitir que aquele menininho tão novo fique andando nesse chão batido, enquanto ele tranquilão vai a cima do burro. Ah!cada pessoa sem coração se fosse meu parente eu já falava umas boas.

O velho ouviu isso e ficou confuso e partilhando com o menino disse que era melhor eles trocarem, pois nem percebeu que estava fazendo algo tão errado assim. Daí então: o menino subiu em cima do burro e o velho foi puxando o animal. Andaram mais uns 10 metros e passaram perto de um bar onde havia uns homens bebendo e criticando disseram:

– Que menino malvado, todo alegre em cima do burro, enquanto o seu avozinho, coitado, fica andando nesse sol forte a pé. Ah! se fosse meu filho eu já dava umas boas palmadas e pedia para ele caminhar.

O menino ouvindo isso ficou chateado e disse ao velho. Olha vovô, é melhor o senhor também subir no burrinho, talvez esse povo pare de nos provocar. E assim fizeram: o velho e o menino subiram em cima do burro e continuaram a travessia daquela longa rua. Quando estavam passando perto de um campinho de futebol, muitos meninos e meninas que ali brincavam começaram a gritar:

– Seus loucos… sem coração. Onde já se viu duas pessoas tão fortes e saudáveis judiarem tanto de um animal indefeso e fraquinho. Isso deveria ser denunciado à sociedade protetora dos animais.

O menino e o velho olharam um para o outro e ficaram surpresos, pois eles sabiam que aquele burrinho era bem forte. Porém, na dúvida de estarem judiando do animal decidiram que: o velho e o menino iriam descer do animal e andar os dois a pé para não cansá-lo. Feito isso acreditavam poder seguir tranquilos, pois agora ninguém tinha o que mais falar deles. Mas, antes de saírem da cidade ainda passaram por uma Paróquia onde as pessoas acabaram de sair da Missa e conversavam na praça. Essas pessoas quando viram aquela cena começaram a rir, chamaram o Padre, ele também rindo, disse:

– Ó Senhor! Ajuda essas mentes ignorantes! Daí-lhes uma luz! Onde já se viu um velho e um menino tão idiotas, andando a pé nesse calor, enquanto puxam um animal tão forte que poderiam levar os dois sem problemas.

Depois de ouvirem isso o velho e o menino até choraram, pois não esperam que tanta gente e até mesmo gente da Igreja, o Padre, pensasse tanto mal deles e comentaram entre si: o que fizemos de errado e o que podemos fazer de certo? A única opção que sobrou é colocar o burro em cima deles e isso daria ainda maior motivo de sarro e injúrias. Foram então que decidiram, vamos logo embora dessa cidade, não vamos ficar aqui nem mais um segundo e, montando os dois no burrinho saíram a galope sem dar atenção a ninguém. Mas, ainda não estava terminado, quase no fim daquela rua, umas pessoas fizeram questão de gritar cheios de razão:

– Gente orgulhosa. Passe pela nossa cidade e nem é capaz de nos cumprimentar. Na verdade ali temos três burros, isso sim. E quem sabe o de quatro patas é mais inteligente. Vão mesmo e não voltem!!!

REFLETINDO: quando alguém está decidido a falar mal de você. Não importa o que você faça de bom ou de ruim. O projeto dos corações maliciosos e malvados já está feito. E suas atitudes não mudaram em nada o que eles pensam. E então, o que fazer? Seja você mesmo. Erre e acerte. Tente e invista. Marque um objetivo e chegue até ele usando os bons meios e não fique parando no caminho, nos bares, mercearias, campinhos e até mesmo praças de paróquias, onde, na maioria das vezes, só ficam aqueles que não tem o que fazer com suas próprias vidas e se dedicam fervorosamente a cuidar da vida dos outros. Numa história como essa, feliz é o burro que não entende como está sendo julgado e só faz se deixar conduzir pelas mãos dos seus proprietários. Que eu e você também sejamos um burrinho, mas de Jesus. Pois, Ele sabe como nos falar, onde nos levar e como nos corrigir. Talvez esse velho e esse menino nunca mais voltaram naquela cidade e isso não significa falta de perdão, mas sim de sentimentos. Ninguém é de papel ou de pedra. Cuidado com o que você fala, pois pode perder um amigo, um cliente, um empregado e até mesmo um familiar para o resto da vida. Daí, só no juízo final para as coisas se acertarem definitivamente. Se você está vendo alguém errar ou pensa que ele esta errando, se informe diretamente com a pessoa, pois de comentários, suposições e partilhas daninhas o inferno está cheio.

Versão do Teatro de Sombras

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