Princesas de Hoje em Dia

Por BEATRIZ ALESSI

“Eu sou uma princesa. Às vezes corajosa; às vezes medrosa. E às vezes corajosa, mesmo quando estou com medo.” Assim começa o vídeo “I am a princess”, em que a Disney quebra um paradigma e desconstrói a imagem clássica da princesa dos contos de fadas, sobre a qual ergueu um dos maiores conglomerados de mídia e entretenimento do planeta.

O vídeo mostra meninas olhando para a câmera, ora confiantes, ora mais vulneráveis, e fala de sentimentos como honestidade, confiança, generosidade e respeito próprio. É a Disney tentando esculpir a imagem da princesa moderna, mais condizente com aquela que as mulheres têm de si mesmas nos dias atuais.

Não, a Disney não quis ser boazinha de repente. É óbvio que a iniciativa atende a apelos comerciais. Só a marca Princess, com que a empresa enche os olhos de crianças de 2 a 6 anos em todo o mundo, fatura 4 bilhões de dólares anualmente. Atualizar o conceito de princesa, portanto, pode ser muito lucrativo. Mesmo assim, o vídeo é bem-vindo por dissociar as meninas da velha imagem de princesinhas vestidas de rosa, sonhando com o príncipe que um dia virá salvá-las, montado num cavalo branco.

Talvez nós, mulheres, nunca nos livremos totalmente do tal “complexo de Cinderela”. Mesmo tendo conquistado nosso lugar ao sol, não deixamos de ser românticas e sonhadoras. Mas não tem cabimento continuar vendendo às meninas a imagem de princesinhas indefesas, cuja única salvação reside em encontrar um príncipe com o qual serão felizes para sempre.

Nossas meninas estão sendo criadas num mundo que exige que sejam perfeitas – e não inteligentes e criativas – e que estabelece a beleza como única arma de sedução e salvação para elas. Esse é um ideal tão inatingível quanto o “felizes para sempre”.

Precisamos mostrar a nossas filhas que elas não precisam mais calçar o sapatinho de cristal e que não vão virar abóbora depois da meia-noite se, até então, não tiverem enfeitiçado o príncipe. Meninas precisam, sim, acreditar em si mesmas e saber que podem fraquejar mesmo tentando ser fortes. E que só poderão ser minimamente felizes se tiverem sonhos e desejos e forem atrás deles. Assim, serão princesas de si mesmas e mulheres de verdade.

* Beatriz Alessi é jornalista e cidadã do mundo, como a maioria dos mineiros. Contadora de histórias, acha que a vida de toda mulher daria um grande filme – ou pelo menos uma modesta crônica.

Via Estilo.br.msn.com/tempodemulher

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