Desconectar-se

Por incrível que pareça, há quem fuja de si mesmo e isso tem um preço caro a ser pago.

Por incrível que pareça, há quem fuja de si mesmo e isso tem um preço caro a ser pago.

De vez em quando é bom desconectar-se, estar solto, sentir sua própria individualidade. Algumas pessoas têm medo disso pois não gostam de se sentir sós. Acontece que as coisas mais importantes de nossas vidas nós fazemos sós: Nascer e morrer. Ainda que assistam e colaborem com nosso parto, ainda que segurem a nossa mão e nos olhem nos olhos na hora que formos dormir, ainda assim entramos e saímos da vida sozinhos. E quando dentro da vida, temos de aprender a entrar e sair da vida das pessoas, e temos de aprender a lidar com as pessoas que entram e saem de nossas vidas. Em alguns momentos, somos nós quem decidimos solitariamente o que será melhor para as nossas vidas e ainda que peçamos conselho a quem for de nossa confiança, o peso da responsabilidade na hora da escolha, será sempre sobre nós que estará. O peso pode ser pesado ou leve, pode ser compartilhado, mas… caberá sempre a nós vivenciá-lo por inteiro.

É bom de vez em quando acordar e começar a tomar os devidos cuidados com nosso corpo, mas não ligar a TV, o rádio, o computador ou o celular… simplesmente desconectar-se de tudo o que seja externo, tudo o que acontece no mundo, não precisa ser por dias, nem muitas horas, mas por momentos. É preciso que tenhamos o silêncio necessário, o mínimo de interferência possível, para termos contato com quem realmente somos. Às vezes o barulho do lado de fora não nos deixa ouvir a nossa voz do lado de dentro. Vocês sabiam que a nossa felicidade depende um tanto bem grande do quanto damos atenção ao que somos interiormente? Falo por experiência própria e por já ter perguntado a quem emana essa leveza de vida chamada de alegria verdadeira… Sei que pode ser extremamente doloroso ter os primeiros contatos consigo mesmo, principalmente quando nos relegamos à anos de fuga. Por incrível que pareça, há quem fuja de si mesmo e isso tem um preço caro a ser pago. O reencontro consigo mesmo pode ser dolorido. Notar que talvez por anos a pessoa se abandonou a si mesma, dá uma dor dolorida. Mas não é nada que não seja aliviável. É possível nos acharmos e nos cuidarmos, ou começarmos a nos cuidar por dentro. Há feridas que precisam ser limpas. Há muita poeira a ser limpa nos móveis dos cômodos na casa que existe dentro de nós. É necessário abrir as janelas e deixar o vento e o sol entrar. Há lugares que ainda precisam ser reservados? Sim, pode ser que o seu mistério não seja logo desvendado… geralmente nunca é de cara que todos os segredos são revelados de nós pra nós mesmos – Há ocasiões onde a insegurança é tão forte que nem em nós mesmos confiamos, quanto mais nos outros. Mas é preciso ter a coragem de fechar um pouco as portas para o mundo e abrir as portas para si mesmo. Não é egoísmo não, é questão de sobrevivência. Só vive de verdade quem se conhece um tanto. Do contrário corremos o risco de ser meros repetidores da vida alheia e isso a gente percebe com o tempo que não nos faz felizes.

Arrisque-se ao encontro contigo mesmo. Tenha paciência contigo mesmo – pode ser que não se agrade de si logo de cara, mas tenha calma. Não se xingue por razões que você acha justo, com o tempo você percebe que a sua justiça própria é muito cruel e injusta, um tanto preconceituosa e cheia de incorreções que lhe ensinaram como se fossem verdade absolutas… busque ter sabedoria pra lidar com maturidade com os seus próprios erros e com os dos outros. Se estamos vivos essa é a oportunidade de acertarmos muito mais do que errados até hoje. Há uma boa chance de sermos felizes de hoje em diante.

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