Dor da Mudança

Nem toda dor é mero sintoma de que algo vai mal. Depois do resultado aparecer na vida a gente amadurece um pouco mais.

analgésico

A Roda

A Roda

A roda é um objeto que muito pode nos ensinar sobre a vida. Ela como sendo um todo é objeto que serve para ajudar na locomoção de outras coisas, quando ela mesma está se movendo. Mas quero me ater na roda em si. Ela tem um todo em si mesma, no seu corpo, onde existe. Com parte de si toca o chão num momento e no outro não. No outro momento é um outro lado de si que toca no chão e depois não. Muitas coisas acontecem em nossa vida. Várias ao mesmo tempo, mas cada um desses eventos só nos toca um de cada vez. Às vezes, a sensação de um toque que acontece num momento e no momento seguinte já não é mais, persiste. O que diremos dos ressentimentos? São sentimentos que foram sentidos num momento e ficaram como que agarrados na lembrança que insiste em os trazer à memória, vindo à tona repetidamente. Sentimentos repetidos em si mesmos, enquanto a roda gira. A roda girando mostra como pode ser a vida da gente. Ela pratica a lei do desapego, ela se apega no chão no que o toca… nesse momento o chão é sua base, o que a sustenta, é o seu instante, o que deve ser vivido porque é o que acontece, a oportunidade em si, vida viva. No outro momento, aquele pedaço da roda gira mais um pouco e já não toca no chão, mas outro lado dela toca o chão que também já não é mais o mesmo. A vida muda constantemente e nós temos medo disso porque os momentos bons podem não se repetir, diante dessa alternância entre coisas boas e ruins acontecendo o tempo todo. Temos desejos por coisas boas em nossa vida e temos medo de coisas ruins. Mas tudo é chão e todo chão, quando estamos dispostos a nos mover, passa, sob nossos pés que seguem, sob a pele do corpo da roda que vive. A roda vive o movimento de sempre estar girando e quanto toca no chão sabe que aquilo ali é apenas o seu instante. E todos os instantes vão seguindo. A gente tem a vantagem de que pode aprender com a vida, enquanto que a roda só gira. A gente olhando a roda girando pode aprender com isso. Na verdade podemos olhar pra qualquer coisa que esteja ao nosso alcance e tirar lições, tirar dores e alegrias de dentro das nossas conclusões. Alguns pensamentos podem ser muito úteis, no sentido de motivar certas vontades e aliviar algumas dores.

Por mais óbvio que seja, a roda gira e a vida é vida. Tem muitas coisas que são óbvias e precisam ser lembradas.

Entendendo Sobre Valores

Nesse trecho de palestra do Daniel Godri, ele nos traz à memória uma verdade necessária. A de que nosso valor está além das circunstâncias dentro das quais possamos estar passando. Em menos de 5 minutos a gente aprende uma lição que pode servir pra mudar de vida.

Como se Olhar

Muito do que vemos em nós na maior parte das vezes é tremendamente influenciado pelo que disseram a nosso respeito. A gente não nasce com uma visão muito acertada de quem somos. Faça a experiência de por um bebê diante de um espelho. Em alguns momentos eles se comportam como se o próprio reflexo fosse uma outra pessoa. Não é muito diferente com a gente. Muitos de nós está acostumado a receber dos outros uma opinião de quem somos e alguns (a maioria, infelizmente) acaba aceitando pra si mesmo a opinião do outro como se fosse uma verdade absoluta. Muitas pessoas passam a vida inteira sofrendo com uma auto imagem pobre, porque disseram pra eles que eram feios ou isso ou aquilo, palavras de desprezo e desvalor.

Dá trabalho nos olharmos no espelho e reconhecermos quem de fato somos. Mas é um trabalho que é bem recompensado. Até mesmo no quesito FEIO ou BONITO, é complicado tirar a venda dos olhos e ver por nós mesmos. Porque em toda época alguém se levanta pra dizer que bonito é isso e feio é aquilo e vice-versa. O ruim é que de tempos em tempos o que é feio ou bonito muda e ai mudam-se as roupas, os cortes e cores de cabelo, os modo de falar e agir e etc e tal. Melhor do que isso tudo é ser quem realmente somos. Independente da opinião alheia. Mas isso dá trabalho e pode ser muito desgastante a princípio e somos por natureza preguiçosos. Só mesmo quem já está cansado de sofrer por dentro é que decide tomar a atitude de pensar e agir por conta própria, em defesa de si mesmo e a favor da própria felicidade. As recompensas são pra lá de gratificantes.

"Como os outros o vêem não é importante, como você se vê significa tudo"

“Como os outros o vêem não é importante, como você se vê significa tudo”

Sobre a verdade

“Todo ponto de vista é a vista de um ponto” (Leonardo Boff)

Muitos de nós se precipita ao arvorar uma verdade incompleta e fazer pouco caso da verdade incompleta dos outros.

 

Das Mudanças Por Dentro

“O mundo muda quando a gente muda por dentro.” (Leonardo L.)

Praticamente tudo o que vemos no mundo e que não é natural, foi existente em algum momento dentro da cabeça de alguém na forma de uma ideia. Todos os objetos que tocamos, veio a idealização de uma pessoa que diante de uma necessidade, inventou o que precisava.

Não só os objetos que cabem nas nossas mãos e diante dos nossos olhos são realizações possíveis, como também canções, histórias, sentimentos. Muito do que há no mundo de bom pode vir de dentro de nós. Na mesma medida que também entra em nós, quando buscamos por isso.

Ao invés de só receber o que há de bom (e o de mal, pois que o mal também acontece no mundo e pode acabar caindo pra dentro de nós mesmo sem querermos), podemos ser do tipo de pessoa que faz da vida um algo acontecente. Podemos inventar modos de sermos felizes e aproveitar cada uma das pequenas alegrias que nos surjam pelo caminho. Noutro dia ouvi que a felicidade não é um destino final no qual chegamos, mas um modo de estar caminhando. Que seja então assim, passo a passo, um jeito de andar que se inventa e se reinventa se necessário. E que no dia de hoje as mudanças interiores se façam realizações palpáveis.

Como Responder a Uma Ofensa À Altura

Achei bacana esse texto da Keka Demétrio e portanto resolvi compartilhar:

Blogueira Plus Size recebe mensagens ofensivas e responde com ensaio sensual

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O que a maioria das pessoas faz quando se vê diante da possibilidade de ditar regras na vida das outras sem serem vistas ou importunadas por isso? Elas ditam. E mais, tomam gosto por se acharem donas da verdade e começam a se sentir deuses, a comandar a vida alheia. Isso acontece muito no mundo virtual, ambiente em que muitos indivíduos se deleitam ao se esconder atrás de uma tela para brincar de “sabe tudo” e provocar discórdia, manipular e determinar até que tipo de pessoa as outras devem amar.

Pois é, imagina se pudéssemos escolher de verdade a quem amamos. A ciência explica a nossa preferência por determinados tipos de homens ou mulheres, mas ninguém pode prever a que horas a paixão vai tomar conta e, principalmente, por quem. Eu gostava de morenos e casei com um homem claro. Prefiro homens mais velhos e já namorei mais novos.

Mas como disse Renato Russo na canção Eduardo e Mônica: “Quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração?”. Sim, os hipócritas de plantão irão dizer… e julgar! Prova disso é o que aconteceu recentemente com a blogueira Renata Poskus, após fazer um texto no Blog Mulherão (www.blogmulherao.com.br) dizendo que, apesar de gorda, se sentia atraída por homens magros e defendendo que todos são livres para amar pessoas diferentes, recebeu milhares de ofensas e ameaças por expor sua preferência.

No texto, a blogueira deixa claro que as pessoas gordas não precisam apenas amar gordos, assim como brancos não são obrigados a amar apenas outras pessoas brancas. “Quis ressaltar que existe, sim, o amor na diversidade de idade, cores e corpos. Foi quando recebi dezenas de ofensas de homens inconformados. No meu texto, embora tenha dito que nunca namorei um homem gordo, não proferi ofensas. Outra colega do Blog Mulherão, por exemplo, fez um texto falando do seu amor incondicional pelos gordinhos e não recebeu os mesmos ataques. Percebi que muita gente se revolta em ver que uma gorda com um magro, como se gordas fossem indignas de namorar alguém diferente delas. Recebi ofensas que poderiam ser muito cruéis e devastadoras se eu não tivesse autoestima“, afirma a blogueira.

Renata, então, se uniu a Adriana Libini, famosa fotógrafa do mercado plus size brasileiro e fez um ensaio pra lá de sensual mostrando que o problema não está no seu corpo, mas na cabeça das pessoas. “Eu não precisava responder a nenhuma ofensa, mas decidi que iria fazer isso, até mesmo para servir de inspiração para outras mulheres. Não respondi com palavras, mas com um lindo ensaio sensual. Mostro nessas fotos que tenho orgulho do meu corpo, das minhas curvas e que não devo satisfação da minha sexualidade e dos meus sentimentos para ninguém“, afirma Renata.

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SERVIÇO – Ensaio fotogrático 

Créditos:
Fotografia – Adriana Líbini
Estilo – Carol Santos
Make & Hair – Tati Souza
Retouch – Vânia Castro e Adriana Líbini
Modelo – Renata Poskus

Agradecimento especial: Korukru | Vislumbre Moda Íntima | Diplomata by André Queiroz | Passarela Calçados

Esta matéria foi publicada em minha coluna no Tempo de Mulher / MSN

Obesidade pode ter efeito protetor contra o Alzheimer, diz estudo

Estudo foi baseado nos registros médicos de 2 milhões de britânicos.
Autor de estudo alerta que obesidade traz muitos outros riscos.

Da France Presse
Sobrepeso (Foto: Roos Koole/ANP MAG/ANP/Arquivo AFP)Pesquisa concluiu que sobrepeso e obesidade podem ser fator de proteção contra Alzheimer (Foto: Roos Koole/ANP MAG/ANP/Arquivo AFP)

A obesidade faz aumentar ou protege contra o risco de Alzheimer? Um estudo publicado nesta sexta-feira (10), na contramão de trabalhos precedentes, indica que pessoas magras têm mais risco de desenvolver demência em comparação às de peso normal ou obesas.

A magreza é definida por um índice de massa corporal (IMC) inferior a 20 kg/m², enquanto o excesso de peso começa em 25 e a obesidade em 30. O peso normal se situa num intervalo entre 20 a 25.

Vários estudos anteriores estabeleciam uma ligação entre excesso de peso e as demências (incluindo Alzheimer) que afetam cerca de 50 milhões de pessoas em todo o mundo, a maioria delas com idade avançada.

Mas neste estudo publicado na revista médica “The Lancet Diabetes e Endocrinologia”, pesquisadores britânicos mostraram, ao contrário, que as pessoas com idade entre 40 a 55 anos magras têm um risco aumentado em 34% de apresentar demência mais tarde na vida, em comparação àquelas de peso normal.

Ainda mais surpreendente, as pessoas com obesidade mórbida (IMC acima de 40) têm uma diminuição do risco de demência em 29% em comparação às pessoas de peso normal.

O estudo foi baseado nos registros médicos de quase 2 milhões de britânicos de meia-idade (idade média de 55 anos no início do estudo) e IMC médio de 26.

Eles foram acompanhados por um período máximo de 20 anos, durante os quais 45.507 foram diagnosticados com demência.

Comparando os dados e ajustando os resultados para explicar outros fatores de risco para demência (como álcool ou tabaco), os pesquisadores foram capazes de estabelecer uma relação entre o aumento do IMC e uma redução progressiva do risco de demência, inclusive em pacientes obesos ou com sobrepeso.

Sem explicação
O epidemiologista Nawab Qizilbash, que coordenou o estudo, reconhece que não é possível, nesta fase, explicar estes resultados.

“Muitos fatores como dieta, atividade física, fragilidade, fatores genéticos ou alterações de peso associadas a outras doenças, poderiam desempenhar um papel”, observa o médico.

Por todas estas razões, o médico alerta que não é questão de aconselhar às pessoas magras que ganhem peso.

Quanto aos obesos, mesmo que haja efeitos protetores para a demência, eles podem “não viver tempo suficiente para se beneficiar”, porque, lembra o pesquisador, eles são mais propensos a desenvolver doenças cardiovasculares ou certos tipos de câncer.

Em um comentário anexo ao estudo, a neurologista americana Deborah Gustafson reconhece que os estudos existentes são “ambíguos” e que o estudo britânico não é certamente “a palavra final sobre um assunto tão polêmico”.

Feederismo – Será que vira Moda?

Que delícia, cara! Mulher faz sucesso na internet se lambuzando de comida

Por

Dentro da psicologia, o fetiche é definido como a forma de encontrar prazer em certas atividades, objetos ou partes específicas do corpo. Por exemplo, quem tem fetiche por pés é chamado de podólatra.

Agora, na internet, se propaga um novo tipo de fetiche: o feederismo. Do inglês, feederism, ou a compulsão em “alimentar o seu amor”: de maneira literal! Tem homens apaixonados por gordinhas e que querem que elas fiquem cada vez maiores.

Sarah Reign é adepta do feederismo

Webcam fat girl

De olho nesse novo nicho erótico, Sarah Reign, de 26 anos, se lançou na internet como uma webcam girl. Ela se exibe para os homens comendo enormes quantidades de comidas, além de constantemente se masturbar e se lambuzar com elas. “Eu realmente gosto de comer e ninguém no meu trabalho sabia o meu segredo”, revela Sarah, que faz serviços de segurança durante o dia.

Pesando 165 kg, Sarah diz que se sentiu estranha na primeira vez que comeu em frente às câmeras. “Mas eu como muito de qualquer maneira, então achei que seria divertido fazer isso na webcam”, revela. Sarah chega a lucrar US$ 1 mil com o trabalho extra, o que a fez lançar seu próprio canal na rede.

Sarah ganhou apenas 35 kg desde que começou a prática do feederismo Apesar de aparentemente abusar da comida, ela diz que tem limites. “Alguns homens querem que eu coma até explodir, mas eu tenho vontade de continuar com minha vida ativa durante o dia”, explica. Desde que começou a carreira paralela, ela ganhou cerca de 35 kg.

Pedidos estranhos

Se você achou a história normal até aqui, está na hora de repensar. Segundo Sarah, ela atende pedidos inusitados, como, por exemplo, se comportar como uma porquinha. Ela até comprou um nariz e um par de orelhas para imitar o animal. “Eu como de forma bem bagunçada, sujando todo o meu rosto de comida”, revela.

Além disso, Sarah está começando a praticar o squashing: alguns homens querem apenas que ela se sente sobre eles. “Foi estranho no começo sentar no rosto de alguém ou sufocá-lo com minha barriga”, conta. Entretanto, a webcam girl diz que esse tipo de trabalho ela não faz nua. Ah… outra coisa que seus fãs adoram assistir é ela dando punzinhos na câmera.

Confira outras fotos da modelo fofinha:

Via EmResumo

Música para Estudar

Hoje eu me vi na necessidade de relaxar um pouco de algumas distrações nos estudos e lembrei que ouvir Mozart pode ajudar na concentração e nos estudos. Repasso então essa seleção com umas 3 horas de música pra quem quer experimentar ou já conhece essa técnica de estudo.

"Mantenha a calma e ame Mozart" (tradução da frase na imagem)

“Mantenha a calma e ame Mozart” (tradução da frase na imagem)

Mais que Mel – Documentário Conscientizador

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“Mais Que Mel” é um documentário e como tal se propõe a investigar uma história interessante. Nesse caso a história não é só interessante, como também é assustadora, do ponto de vista da sobrevivência humana. Há quem não goste do inseto “abelha” pois o modo como algumas abelhas se defendem quando se sentem ameaçadas é por meio de uma ferroada dolorosa. Mas além da picada (que pode ser muito perigosa pra pessoas alérgicas) e além do mel, a abelha é responsável por nossa sobrevivência em outros aspectos.

Segue abaixo o trailer do filme e uma sinopse. Pense bem antes de matar um inseto desses, de preferência deixe que ele vá embora, mas não diminua mais com o que de certa forma já estamos dizimando.

Mais que Mel

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Sinopse: Em menos de quinze anos, 50% a 90% das abelhas desapareceram do globo terrestre. Os agrotóxicos e eventuais predadores contribuem certamente para o fenômeno, mas nada justifica uma queda tão brusca no número destes insetos. O documentário investiga a responsabilidade dos homens no desaparecimento das abelhas, lembrando que sem a polinização feita por elas, até 80% das frutas e legumes podem sumir da face da Terra. Mesmo Einstein já tinha dito que sem esses animais, o ser humano sobreviveria no máximo quatro anos. Fonte: Adoro Cinema

Se Você tiver o programa Torrent, Instalado é só Clicar Aqui e baixar o filme via torrent, se ele estiver instalado. Se não sabe o que é e nem como usar o torrent, Clique aqui, e saiba como.

Via OMelhorDaTelona

O recado das vítimas dos anticoncepcionais

AntiConcenpcionais Perigosos

Sinceramente eu desconhecia esse tipo de situação e achei preocupante. As mulheres, inclusive as obesas estão muito vulneráveis a esse tipo de problema de saúde e por desinformação muitas vezes nem sabem disso. 

(Época, 30/03/2015) A luta de um grupo de mulheres pela informação sobre os riscos das pílulas representa um novo jeito de ser paciente

O vergonhoso desempenho educacional do Brasil emperra o país de várias maneiras. Uma das consequências mais cruéis da ignorância é a perda da saúde. A falta de informação não só contribui para o adoecimento como impede que os cidadãos reflitam sobre os cuidados médicos que recebem. De forma geral, os pacientes brasileiros são excessivamente passivos. Não questionam nada nem ninguém.

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Quando um deles rompe esse padrão de forma contundente, as razões que o movem devem, no mínimo, ser conhecidas. Foi o que senti quando fui procurada pela professora Carla Simone Castro, de Goiânia, em outubro do ano passado. Ela pedia que eu fizesse uma investigação jornalística abrangente sobre os riscos e benefícios dos anticoncepcionais.

Professora universitária prestes a concluir o doutorado, Carla havia sido surpreendida, aos 41 anos, por uma trombose cerebral sete meses depois de começar a tomar a pílula Yasmin, da Bayer. Teve três acidentes vasculares cerebrais (AVC) e, durante 55 dias, mal conseguia enxergar. Naquela mesma semana, contei a história aqui, mas era preciso ir além.

Uma discussão que diz respeito a 11 milhões de consumidoras de pílulas anticoncepcionais no Brasil (e também a seus parceiros e familiares) merecia ser aprofundada. É o que ÉPOCA faz na reportagem de capa desta semana ao narrar em detalhes histórias de mulheres que descobriram – tarde demais – que jamais deveriam ter tomado um anticoncepcional hormonal. Ao lado, os relatos que elas mesmas gravaram em vídeo.

É o caso da pedagoga Daniele Medeiros Alvarenga, de 33 anos. Ela é portadora de uma condição genética (chamada trombofilia) que aumenta em até 30 vezes o risco de formação de coágulos na corrente sanguínea de mulheres que usam hormônios. Daniele diz ter mencionado a trombofilia quando uma ginecologista sugeriu que ela usasse a pílula Yasmin para tratar cistos ovarianos. “Ela respondeu que, nesse caso, receitaria uma pílula com baixa dosagem hormonal”, afirma Daniele.

A paciente se convenceu e tomou o remédio. Depois de três meses, sofreu uma embolia pulmonar. Isso acontece quando um coágulo formado em alguma veia do corpo chega aos pulmões e obstrui a passagem do sangue por uma artéria.

As consequências foram gravíssimas. Três paradas cardíacas, dois meses de internação, 40 dias em coma. Daniele se salvou por pouco, mas os medicamentos que a mantiveram viva na UTI provocaram uma sequela permanente: a necrose e amputação dos dez dedos dos pés.

Daniele foi vítima do desrespeito às recomendações da Organização Mundial da Saúde para o uso seguro de anticoncepcionais. Mulheres com o perfil genético dela não devem tomar hormônios. Isso está escrito explicitamente no documento da OMS. Infelizmente, muitos prescritores de pílula não o conhecem.

Esse é um problema que até mesmo as entidades de classe reconhecem. “Os ginecologistas precisam ter critério para recomendar esses remédios”, diz a médica Marta Franco Finotti, presidente da Comissão Nacional Especializada em Anticoncepção da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo). “Se todos eles seguissem as normas da OMS, já seria maravilhoso.”

Os estudos disponíveis revelam que danos graves (trombose, embolia pulmonar, AVC etc) em consumidoras de pílula anticoncepcional são raros. No período de um ano, ocorrem cerca de 10 casos a cada 10 mil consumidoras de medicamentos à base de drospirenona (uma das substâncias da pílula Yasmin). A estimativa é da agência europeia que regula medicamentos (EMA). “As pílulas são seguras, usadas por 100 milhões de mulheres no mundo e até mais estudadas que os antibióticos”, diz Marta.

Ainda assim, casos gravíssimos como o de Carla e Daniele acontecem. Ninguém pretende fazer campanha contra a pílula. Isso seria uma insanidade, principalmente num país onde, todos os anos, 13 milhões de adolescentes se tornam mães. O ponto é outro e diz respeito à autonomia do paciente.

É inadmissível que a informação sobre os riscos continue a ser sonegada das mulheres que buscam uma forma de evitar a gravidez. Elas precisam conhecê-los para tomar uma decisão consciente. Precisam entender que a pílula não é a única forma eficaz de contracepção e assumir o controle das decisões sobre o seu corpo. A reportagem de ÉPOCA traz uma comparação dos riscos e benefícios dos diferentes métodos e das diversas formulações de pílula.

Cercar-se de informação foi exatamente o que Carla decidiu fazer quando recebeu o diagnóstico de trombose cerebral, uma doença que não conhecia. Ali mesmo, na cama do hospital, ela agarrou o celular e começou a buscar artigos científicos que relacionassem o problema ao uso de pílula. Encontrou centenas de referências.

A história de Carla ganhou as redes sociais depois que um aluno decidiu postar um vídeo em que ela contava todo o sofrimento decorrente da decisão de tomar a pílula. Mulheres de todo o Brasil começaram a procurá-la e a enviar vídeos com relatos semelhantes. Assim nasceu no Facebook a página Vítimas de Anticoncepcionais – Unidas a Favor da Vida, uma comunidade que já soma 28 mil pessoas.

Antes de Carla, as vítimas estavam isoladas. Cada uma aceitava a explicação de que era uma raridade e, bem ou mal, tentava se conformar com a falta de sorte. Carla uniu essas mulheres porque é uma paciente incomum que decidiu fazer pesquisa científica com as próprias mãos.

A professora já conseguiu reunir relatos de 305 casos de reações graves ocorridas em brasileiras. Compilou informações sobre saúde e dados adicionais como nome, endereço, renda familiar, circunstâncias em que os problemas ocorreram etc. Os principais achados estão publicados na reportagem de ÉPOCA. Ela descobriu, entre outras coisas, que 92% das mulheres que sofreram danos graves não haviam sido alertadas pelo ginecologista sobre o risco de trombose.

O próximo passo de Carla é mais ousado. Pretende se associar a médicos e outros pesquisadores para investigar cada um dos relatos que já conseguiu reunir. Quer publicar um trabalho com rigor e validade científica. “Não podemos aceitar que continuem dizendo que esses casos são raros no Brasil, se ninguém os relata e os investiga”, diz.

Carla é uma boa notícia. Não apenas pela discussão relevante que desperta como pelo tipo de paciente que simboliza. Aquele que busca informação, tem apreço pelo conhecimento científico e plena consciência de que saber é poder.

Cristiane Segatto 

Acesse no site de origem: O recado das vítimas dos anticoncepcionais (Época, 30/03/2015)