Full Bus (Ônibus Cheio)

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Nota: Não é nada fácil andar logo de manhã cedo dentro de um ônibus cheio. O motorista vai parando em cada ponto, enchendo o espaço que há com mais corpos do que antes se achava ser possível. Em dados momentos a pressão entre os mesmos, em pé no corredor, se esforçando pra se manterem equilibrados, sofrem o que poderia se igualar a uma luta corporal injusta, tendo em vista que ambos perdem mas ainda assim fazem força pra ficar com o mínimo de conforto no pouco espaço disponível. O jogo de empurra empurra não vai dar em nada, ambas sardinhas enlatadas não conseguirão sair de suas posições comprimidas até que se chegue ao seu destino. O que se há de fazer quando dentro de uma situação como essa? No exato momento que o fato acontece, tudo motiva angústia, raiva, indignação, tristeza, toda uma gama de emoções e sentimentos dispostos a estragar o dia. Mas a resiliência ensina que devemos suportar a adversidade e chegar até o cumprimento de nosso objetivo sem sermos derrotados pelo meio do caminho. Uma boa argumentação mental ajuda nesse sentido. A mente passa a buscar na memória com auxílio da razão, palavras de ânimo baseadas na realidade por mais dura que seja. O foco passa a ser um futuro breve, logo ali no fim da viagem, que na pior das hipóteses vai demorar no máximo três horas – estimativa essa calculada pra mais, bem mais do que o que de fato acontece. Não foi à toa que Jesus ensinou: “Se te obrigarem a caminhar uma milha, caminhe duas”. Jesus estava ensinando a resiliência, treinando as mentalidades que quisessem ser mais fortes e vencedoras. A sensação de uma pessoa presa na situação de um ônibus cheio é aquela do tipo que faz parecer que a pessoa é uma derrotada e está em situação de extrema desvantagem na vida. Isso pode ser um fato, inclusive humilhante. Acontece que a aparência das coisas não deve ser a última verdade. Quando passamos a ver mais adiante, a condição da vida fora do ônibus, em liberdade de corpo não tocado pela presença de estranhos, a disposição emocional muda e podemos inclusive rir da situação. A gente passa a ver  que no passado os escravos nos navios negreiros deviam sofrer situação parecida ou pior, mas foram sobreviventes e trouxeram a esse continente chamado humildemente de Brasil, a força com a qual muito do que está de pé foi construído. Os supostos escravos de hoje em dia, diferentes dos outros têm a seu favor a possibilidade de comprar a própria carta de alforria, por meio de uma mudança de vida.  Um dos pensamentos que surgem quando em situação de dificuldade quando não somos vencidos pelo que for negativo, é: O que posso fazer pra mudar isso? Tal questionamento pode ser a semente de uma bela colheita. Pois é do viver uma dificuldade que surge a consciência dela e também pode surgir a proposta de solução para o problema. Reclamar de um problema por si só não o resolve, pode ser perda de tempo e energia de vida. Mas ficar bem disposto e aprender o que possa ser útil na dificuldade, isso faz toda diferença pra melhor.

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