O que Fazer Diante do Leite Derramado?

“A Menina do Leite”

fábula de La Fontaine

 

A menina caminhava cheia de contentamento, pois era a primeira vez que iria à cidade, para vender o leite de sua vaquinha.

Colocou sua melhor roupa e partiu pela estrada equilibrando a lata de leite na cabeça.

Enquanto caminhava, a menina começou a fazer planos entusiasmados para ganhar dinheiro:

Vou vender o leite e comprar ovos, uma dúzia. Depois, ponho a galinha a chocar os ovos e ganho uma dúzia de pintinhos, que logo eles crescerão e terei bonitos galos e belas galinhas. Venderei os galos e fico com as galinhas, porque são ótimas para pôr ovos. Outra vez ponho os ovos para chocar e terei mais galos e galinhas. Venderei tudo e compro uma cabrita e algumas porcas. Se cada porca me der três leitõezinhos, vendo dois, fico com um e …

A menina estava tão distraída com seus pensamentos, que tropeçou numa pedra, perdeu o equilíbrio e levou um tombo inevitável. Todo o leite foi derramado no chão, para desolação da sonhadora.

E os ovos, os pintinhos, os galos, as galinhas, os cabritos, as porcas e os leitõezinhos foram pelos ares…

Moral da história: Não se deve contar com uma coisa antes de conseguí-la.

Ok. Quem é que define a moral de uma história? Não sei. Só sei que na maioria das vezes não gosto muito da definição fechada que me apresentam. Uma história que traga alguma lição não tem apenas uma moral, uma interpretação possível, uma lição. Uma história pode conter milhares de pontos de vista, milhares de interpretações. Sendo assim, quero tirar algumas lições úteis sobre O que fazer Diante do Leite Derramado.

Uma delas:

A Importância do Planejamento

A menina estava contando que daquela porção de leite inicial, ela conseguiria uma certa quantia de dinheiro e com o mesmo investiria na compra de uma galinha que depois daria continuidade a uma série de outros investimentos com os quais ela poderia satisfazer suas vontades.

E daí que o leite caiu e foi derramado? O leite em si não era o mais importante. O importante era o planejamento que a menina tinha do que fazer mais adiante. Na maioria das vezes, as pessoas vivem e poucos planos fazem em relação ao futuro. A menina, ainda que tenha perdido o leite já tinha consigo algo a seu favor: Uma noção de futuro. Ela sabia onde queria chegar. Eis uma vitória!

Em breve compartilho as demais lições.

A Dor como Hábito

Sentir dor é ruim – eu poderia dizer isso categoricamente e todos poderíamos ser unânimes em concordar. Certo? Errado! Mas como assim? Podem acabar me perguntando. Ai eu lembro que no mundo há pessoas que gostam de sentir dor. “50 tons de Cinza” e cia mostram no sucesso de bilheteria e vendas de livros que os temas que giram em torno do BDSM tornaram o assunto da dor associada ao prazer como sendo algo não tão fora do comum assim e até aceitável e compreensível como sendo uma de nossas facetas humanas. Ok, podemos entender que a porcentagem das pessoas que gostam de experimentar dor é uma parcela pequena da população mundial. Mas existe e não pode ser desprezada se quisermos saber da realidade. Nem vou perder tempo pesquisando sobre isso agora. Existem os masoquistas, sim. Existem os sadistas. Existem as relações sadomasoquistas, onde um gosta de fazer sofrer e o outro gosta de sofrer a dor. E estou falando ainda das dores físicas, as que podem ser sentidas no corpo com consentimento entre as partes. Mas e quando a dor é infligida na alma, sem o consentimento de quem sofre?

Estou lembrando de situações de bullying. Antigamente nem tinha esse nome, era só zueira mesmo, brincadeiras de mal gosto pra quem sofria e só uma brincadeira mesmo pra quem fazia. Escárnio, zombaria. Há um salmo na Bíblia que diz:“Bem aventurado o que não se assentar na roda dos escarnecedores”. É engraçado que eu, quando era adolescente ainda, li esse trecho e reconheci a rodinha de colegas na escola que se juntavam pra zuar com a cara daqueles que por algum motivo era diferentes, não estavam na moda, ou tinha o nariz grande, eram magros demais ou altos ou baixo ou gordos e gordas. Antes mesmo de ter lido o conselho bíblico eu já tinha decidido que não me juntaria com aqueles que falavam mau dos outros, só porque estavam em maioria na hora de fazer um acordo do que julgavam aceitável ou não. Decidi isso porque tive a sorte de me notar bem diferente do que os colegas da escola eram, eu mesmo podia ser considerado um alvo fácil deles, mas por alguns motivos passava meio que despercebido. Haviam outros alvos mais fáceis pra sofrer bullying. Por outro lado, eu sendo negro, pobre, brasileiro (o Brasil é um puto de um país hipócrita que ainda tem muito racismo e preconceito entranhado na carne que nem cor branca ou negra tem de fato. Somos quase todos mestiços por aqui, quase ninguém conseguiu se manter dentro de uma linhagem pura pra poder apontar pra o outro e se dizer melhor do que o outro por motivos… étnicos? Sério mesmo que a cor da pele, tipo de cabelos ou tipo de corpo deveria mesmo ser um motivo pra nos diferenciarmos como melhores ou piores? To me dando conta do tanto que esse tipo de pré-conceito ou conceituação é tão absurdo e ridículo!). Enfim, por vários motivos tive como sentir na pele a dor do bullying, do racismo, do preconceito dos outros e de mim pra comigo mesmo. Graças a Deus não durou tanto o quanto que me fizesse ficar anestesiado e cego.

Sim, a dor prolongada, emocionalmente pode nos cegar de certa forma. A gente acaba por se acostumar com a dor que nos é inflingida por um tempo considerável. Ficamos condicionados a viver com a dor, deixamos de viver certas coisas por causa dela. Passamos a pensar e agir modelados dela dor. Como a história do elefante que tinha um espinho no pata e por causa disso não pisava no chão com todo peso que tinha e por conta disso andava muito diferente dos outros. Tem muita gente no mundo que anda torto porque tem um espinho na pata emocional.

Falta de amor pode nos causar dor emocional. Solidão, sentimento de menos valia… auto estima inexistente ou muito baixa. Não ter recebido amor de quem deveria nos dar quando nascemos, nossos pais, pode nos causar prejuízos no longo prazo. E pra quem quiser concordar comigo e quiser uma solução rápida eu logo adianto que culpar os nossos pais não resolve o problema. A maioria das vezes que eu já vi esse tipo de coisas acontecendo é porque os nossos pais também não receberam amor dos pais deles de maneira adequada. Entre achar culpados pelas dores que sentimos hoje e buscar tratar com elas agora pra que vivamos bem de hoje em diante, eu prefiro a segunda opção.

Estou me prolongando nesse texto, em tempos nos quais as pessoas não têm muita paciência pra ler ou mesmo acham que têm pouco tempo pra viverem suas vidas tão longas e tão cheias de compromissos altamente significantes, altamente recompensadores e produtivos em termos de alegria. Desculpe, meu querido leitor ou querida leitora, se você chegou até aqui e não achou o que queria. O que você queria de fato? Posso dizer o que eu quero. Quero que a sua dor de anos a fim seja extinta. Se for o caso de você ter dentro de seu coração uma dorzinha de estimação, que você vem alimentando e cuidando dela fazem anos, é hora de acabar com isso. Se enquanto você foi fazendo a leitura acabou por perceber alguma dor ai dentro de você, uma dor antiga que ainda incomoda, é hora de retirarmos esse espinho. Ter percebido é o primeiro passo. Querer se livrar disso é o segundo. O tratamento já começou se assim for. Vou terminar o texto por aqui, mas voltarei nesse assunto. Pois é muito importante.

Forte abraço aos que considero vencedores por ainda estarem na luta!

Recomeços

Uma ideia recorrente pra mim é a de que “Viver é bom por mais dolorido que seja”. Me considero otimista. Mas não o tipo de otimismo burro que nega a realidade e exclui todo tipo de dor que possa existir. Sou otimista e realista ao mesmo tempo. Busco caminhar de um jeito que o caminho sendo bom ou ruim possa me trazer os benefícios de uma vida que possa ser feliz. Quem de nós não quer ser feliz? A maioria quer. A minoria se decepcionou com as expectativas frustradas ou dores repetidas, enfim, muitos outros motivos. Pra não fugir do que quero dizer, recomeçar é necessário… Muitas vezes acontecem na vida situações totalmente fora de nosso controle e que são extremamente dolorosas. Nosso coração parece que se quebra em mil pedaços. Parece que estamos destruídos por dentro. Mas se estamos vivos, podemos nos reconstruir, sempre. Por mais que pareca impossível. É possível, sim. Temos como. Às vezes só precisamos aprender como nos refazer, reestruturar, reconstruir, recomeçar.

(Re)Começos

Qual seu sonho? Muita gente deixa de realizar os próprios sonhos por medo de tentar e fracassar. Medo do que vão dizer se der errado, medo de dar de frente com as próprias limitações e perceber que não consegue. O medo é uma merdinha que deve ser limpa de nossa mente e coração, como fazemos com as fraldas sujas nos bebês.

Voltando à pergunta inicial: Qual é o seu sonho? Estou aqui pra te incentivar a buscar a realização de teu sonho. Pelo simples fato de que ele pode ser mais possível do que você pensa. Se ainda não sabe disso é porque ainda não ter conseguido ver como se faz para realizar um sonho. Uns dizem que “o impossível só é impossível enquanto alguém não vai lá e faz“. Hoje em dia temos muitas invenções que servem como exemplo do quanto essa frase é verdadeira. Agora, se o medo ainda estiver dentro do coração e da mente, então os sonhos ainda ficarão prejudicados em seu estado de semente pronta pra germinar, mas guardada no escondido.

Quer saber? Você só tem uma vida, se você não quiser realizar o seu sonho, ninguém vai. Se você não realizar o seu sonho, corre o risco de chegar no fim da vida, ver que várias outras pessoas realizaram os seus e ficar se perguntando como teria sido contigo se tivesse tentado. Portanto, TENTE! Experimente tentar. Comece! Procure saber quem já realizou um sonho parecido e veja quais caminhos a pessoa percorreu. Aprenda, esteja com disposição pra aprender coisas novas que você ainda nem sabe que existem! Mas comece. Dê o primeiro passo. Se falhar ou errar, entenda que faz parte do processo. (Re)Comece quantas vezes for necessário. Mas comece Hoje mesmo, AGORA!

Faça sua vida valer à pena! Repito: Se você não buscar realizar o seu sonho, outra pessoa não o fará por ti!

 

 

(Im)Perfeição

Somos (im)perfeitos. Algo óbvio, mas que passa desapercebido, ou será que não? Passa sim, pra muita gente passa. Demorei anos de minha vida pra aprender a colocar os sinais de parênteses onde deveriam estar de fato. Releia: “somos (im)perfeitos”. Compreendeu? Todo e qualquer ser humano que seja, por mais que trabalhe a respeito vai dar de frente com a sua própria (im)perfeição. Acontece que na maior parte do tempo as pessoas focam mais na imperfeição do que na perfeição. Perdem tempo olhando pra o que tem dentro de si mesmas que está errado, ou nem isso, olham por fora as coisas que fazem de errado e não conseguem descobrir por quais motivos agem como estão agindo, ou melhor… reagindo na maior parte do tempo. Sabe, a diferença entre a ação e a reação é que agindo a gente sabe por qual motivo está fazendo algo e na reação a gente só faz porque está sentindo um forte impulso pra fazer, sem pensar nas consequências, sem refletir, sem se dar conta do quanto pode ser dolorido o que acontecerá logo após… O que fazer então? Eu me dei muito bem comigo mesmo quando parei de ter raiva de mim, por exemplo. Quando percebi que muito da minha vida não estava dando certo porque EU estava agindo de modo inadequado, pois ao invés de ficar com raiva das atitudes erradas que eu estava tomando, fiquei com raiva de mim mesmo. O que parece muito natural, quando vejo por ai a maioria das pessoas fazendo o mesmo. É estranho quando a gente percebe que algo ruim parece natural, quando na verdade não deveria ser. É ruim quando a gente se dá conta de que as coisas erradas parecem acontecer em muito maior frequência do que as coisas certas. O bom da história é que dá pra mudar. Muito do que parece repetitivo na vida, do que parece que sempre foi assim e sempre será, pode sofrer uma mudança drástica e essa mudança pode ser pra melhor. A parte chata da história é que nem sempre é fácil perceber o quanto que podemos mudar e como fazemos isso. Estou me lembrando de uma vez no qual diante de uma situação de dor muito forte, foi dito: “Deve haver uma vida melhor do que essa”. E havia. Tive de aprender a ter paciência comigo mesmo pois uma parte de mim queria muito fazer as coisas darem certo na vida, mas a outra parte ainda vacilava muito e precisava aprender muitas coisas. Precisei aceitar os dois lados de mim mesmo, quem eu queria ser e quem eu estava conseguindo ser. Aceitar quem somos incondicionalmente, nos erros e acertos é parte do que chamam de amor próprio. Faz um bem sem medidas, todo mundo deveria aprender como se faz.

 

Página de Diário: 8 de março – Dia Internacional da Mulher

Eu sei que já dei muitos parabéns para as mulheres nessa data de hoje, mas de uns tempos pra cá esse dia me parece mais motivo de tristeza do que de felicidade. Mas ainda assim, é melhor que haja um dia no qual se lembrem das mulheres do que nenhum dia, né? Ontem mesmo ouvi uma notícia dizendo que em muitos trabalhos feitos por homens e mulheres, os salários das mulheres é menor. Em consultorias, por exemplo, a diferença chega a ser de 60%. Dá vontade de jogar uma bomba em algum lugar pra explodir alguma coisa e ver se a raiva passa. Nesse momento entendo os que fazem terrorismo, como se a violência fosse a única forma de resolução de problemas que aparentemente de modo pacifista não dão conta. Mas sei que não resolveria explodir coisa nenhuma, pelo menos não nesse caso. Einstein disse que “É mais fácil dividir um átomo do que um preconceito”, e olha que existe muito preconceito contra as mulheres. Acompanho os movimentos de empoderamento feminino, é tema que me interessa e muito! Digo dos empoderamentos reais e não aqueles que só querem jogar maquiagem na cara das meninas, dizer que elas estão lindamente aceitáveis para os padrões definidos não se sabe por quem, e as jogam no mundo desse jeito e só. Sou a favor do empoderamento de verdade, aquele que faz a mulher pensar de modo livre e consciente de que ela é de fato poderosa pra fazer o que quiser da vida – embora isso signifique que ela poderá ter um mundo contra ela e poucos a favor, o pensamento machista ainda está impregnado em muito do que temos na sociedade. Muito do que eu sei de mais importante na vida eu aprendi foi com as mulheres e não com os homens. Desde a minha mãe, passando pelas professoras, amigas, escritoras, artistas e pensadoras, umas que sequer souberam de minha existência tendo em vista que já morreram… algumas morreram mesmo antes de eu nascer, não souberam nem sabem, as que ainda vivem, do legado de construção que deixaram dentro de mim. Clarice Lispector me salvou da morte, quando no auge de uma depressão, cheio de pensamentos suicidas eu combinei que só morreria depois de ler toda obra dela… Não li pra não gastar tudo e ficar de vez órfão dessa escritora que tão bem sabe como retratar a alma humana e principalmente feminina. Deu tempo de fazer terapia com os textos dela e outros, redescobrindo a vida e o mundo e achando novos motivos pra viver. Noutro dia lendo um livro da Regina Navarro, fiquei sabendo que na História da Humanidade, homens e mulheres já viveram em condição de igualdade na sociedade de então. Não havia guerra dos sexos, pra um provar ser mais forte do que o outro, mais sensível do que o outro, mais importante do que o outro. As diferenças se complementavam e a sociedade conseguia fluir mas dentro do que entendemos ser justo. Daí em algum momento o homem se achou mais importante do que a mulher pelo fato de ter ele a “semente” com a qual multiplicar a população e por conta disso toda uma série de ações foram tomadas no sentido de colocar a mulher na condição de objeto a ser usado para procriação – foi assim que entendi, olhando o contexto de todos os fatos históricos. O homem passou a exercer controle sobre a mulher por causa da natalidade e entendeu que o domínio sobre a mesma significava o domínio sobre a força de trabalho que da mulher viesse por meio de seus filhos. Nesse ponto da reflexão muita gente talvez já tenha abandonado esse textão aqui, pois no dia de hoje por qual motivo a gente pensaria na mulher em si, de verdade? Ainda há muito o que conquistar para que a mulher tenha de fato a liberdade da qual é digna. Liberdade sobre seus ganhos, seu corpo, seus pensamentos, sua forma de sentir o mundo e a si mesma. A legislação brasileira (e a de outras partes do mundo, tendo em vista alguns casos jurídicos de que tive notícia), não privilegia a mulher como sendo um ser humano em iguais condições de existência com um homem para responder judicialmente. As leis brasileiras referentes ao casamento e o divórcio, não são igualitárias; se o texto for lido com o mínimo de bom senso vai se notar nele que a mulher é tratada como um tipo de propriedade que pertence ao homem com o qual vai se casar. A Justiça não é justa no todo para com as mulheres! E o irônico é que as leis não surgem do nada, são feitas por nós, humanos…. homens e mulheres. Me diz, vou comemorar o que no dia de hoje? Hoje é um dia memorial pra relembrar todas as mulheres que venceram onde já deveriam manifestar a sua excelência sem precisar de luta. É bom relembrar hoje as mulheres que se sacrificaram para que outras tivessem direitos que deveriam ser naturais, mas todo um sistema criados a séculos não legitima, a não ser que hajam movimentos a favor ou contra o que tem de ser. Entendo as mulheres que são homoafetivas por declarado motivo de terem se decepcionado com homens que não as souberam tratar como deveriam, eu não as julgo como já fiz ignorantemente um dia. Entendo as mulheres que sofreram o abuso de seus corpos estuprados e diante da truculência do Estado num atendimento hóstil para com a vítima, fazem com que a mulher se sinta a culpada quando na verdade é vítima. A tal cultura do estupro ainda infecta muitas mentalidades. Dá ou não dá vontade de jogar uma bomba em alguns lugares? Entendo muito bem quem faz terrorismo, mas não concordo com seus métodos. Há formas muito mais violentas de fazer protesto de modo a trazer resultados reais. A raiva, o ódio, a indignação, a revolta, podem ser usadas como energias convertidas em forma de consciência, conhecimento, sabedoria e ação prática, na direção de mudanças para que haja liberdade, em todos os sentidos – não apenas financeira (que é o que muitas mulheres precisam pra entender que não há cabimento em estar submetidas a um casamento falido onde o homem se coloca como o provedor do lar, sustentador dos filhos e opressor da mulher que muitas vezes se sente uma puta, por ter de se deitar com um homem que não ama, mas a coibe de tomar uma posição onde se sinta digna e possa ser de fato feliz. Muitas mulheres se sentem obrigadas a ter uma vida medíocre por não terem consciência do quanto podem gerir suas próprias posses ou mesmo adquiri-las por si mesmas). Quem quer que eu fique feliz e comemore o dia das Mulheres? Vou comemorar a vitória anônima que comigo for compartilhada das mulheres que todos os dias se esforçam pra mudar suas próprias vidas e caminham no sentido da liberdade desejada. Vou continuar fomentando e instigando a força interior que move a vida das mulheres que quiserem ser felizes na conquista de seus ideias reais e não apenas ilusórios. Ainda é preciso que muitas mulheres tomem nas mãos a responsabilidade de mudar os seus destinos e decidam dar um rumo em direção à felicidade, ao invés de se conformarem com uma vida medíocre, muito abaixo do que poderiam viver em termos de qualidade. É preciso que as mães entendam que não é muito útil criarem suas filhas para que sejam apenas princesinhas prontas para se encontrar com um príncipe encantado e cuidar de um reino. As mulheres podem ser conquistadoras dos reinos que quiserem e para isso não precisam estar submetidas ao domínio de um príncipe ou rei que seja. Cada qual pode escolher o destino que quiser e se esforçar para a concretude do mesmo, para que não viva apenas uma vida de sonhos aparentemente impossíveis de realizar. Muitas mulheres hoje em dia sofrem opressão em suas mentes e corações, por terem sido entulhadas, soterradas, com ideias falsas sobre como deveriam ser em seus corpos e mentes para que fossem aceitáveis e amáveis, desejáveis e queridas. Vou continuar lutando com palavras e ideias, não precisarei explodir bomba em canto nenhum a não ser dentro das mulheres que precisam demolir as velhas estruturas de pensamento que só as fazem se sentir e ser como se fossem prisioneiras de um sistema injusto que não privilegia sua felicidade. Parabenizo não apenas hoje, mas em todos os dias que eu ver manifestação de vitória, a cada mulher em quem admiro o esforço pela mudança. Que haja mais liberdade e mais possibilidade para ser feliz na vida, em cada mulher que existe no mundo! Esse é meu desejo hoje, amanhã e depois. — Leonardo Almeida