(Des)Valorizar Palavras

(Des)Valorizar Palavras

“Aprendi a estar desatenta de um modo muito valioso. Não dar atenção ao que certas pessoas dizem e ao que dizem outras pessoas. Há diferença nisso. É necessário usar um filtro. Certas pessoas vão sempre dizer o mesmo tipo de coisas e essas coisas que dizem podem ser descartadas sem o mínimo cuidado. Agora, o que dizem certas pessoas, deve ser no mínimo avaliado primeiro antes de se jogar fora.

Foi bom pra mim ter aprendido a fazer “ouvido de mercador” pra algumas coisas. Para quem não conhece essa expressão quer dizer que a gente ouve das coisas, mas elas entram por um ouvido e saem pelo outro, não ficando a fazer morada dentro de nossas cabeças. O que é bom a gente ouve e guarda, o que for ruim a gente joga fora. Isso é fazer uso do filtro. O que nos serve para o bem, para o nosso crescimento pessoal, para a elevação da nossa auto estima, isso a gente guarda. Guarda inclusive algumas verdades que podem ser ditas e de modo duro acabam machucando a gente por dentro, porque essas tais coisas podem ser a revelação de algo em nós que não é tão agradável de se ter. Se esse algo nos causa algum tipo de prejuízo e se quem diz o faz na intenção de nos ajudar a mudar de vida, melhor ainda… embora nem por isso menos dolorido.

Então, foi bom pra mim ter aprendido a valorizar e desvalorizar as palavras que ouvia a meu respeito. Foi muito bom deixar de ouvir algumas coisas que me diziam, pois simplesmente não eram verdade. Hoje em dia sinto que vivo bem melhor.” (Gaia, no romance EuGordinha)

Dos Padrões

Dos Padrões - EuGordinha

O título “Dos Padrões” fui eu quem pus na ausência de um, para o poema que segue abaixo.

Todos esses padrões
sobrevivem roubando opiniões,
impondo interpretações
Sequestram cada imaginação,
aprisionam o coração
corrompendo tuas concepções.

-Violette

 

por Larissa Paula Fernandes Carvalho

Da Discrição – Mário Quintana

Falsidade

“Não te abras com teu amigo
Que ele um outro amigo tem
E o amigo do teu amigo
Possui amigos também”
― Mario Quintana

O Poder do Hábito – Charles Duhigg

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Durante os últimos dois anos, uma jovem transformou quase todos os aspectos de sua vida. Parou de fumar, correu uma maratona e foi promovida. Em um laboratório, neurologistas descobriram que os padrões dentro do cérebro dela – ou seja, seus hábitos – foram modificados de maneira fundamental para que todas essas mudanças ocorressem. Há duas décadas pesquisando ao lado de psicólogos, sociólogos e publicitários, cientistas do cérebro começaram finalmente a entender como os hábitos funcionam – e, mais importante, como podem ser transformados. Embora isoladamente pareçam ter pouca importância, com o tempo, têm um enorme impacto na saúde, na produtividade, na estabilidade financeira e na felicidade. Com base na leitura de centenas de artigos acadêmicos, entrevistas com mais de trezentos cientistas e executivos, além de pesquisas realizadas em dezenas de empresas, o repórter investigativo do New York Times Charles Duhigg elabora, em O poder do hábito, um argumento animador: a chave para se exercitar regularmente, perder peso, educar bem os filhos, se tornar uma pessoa mais produtiva, criar empresas revolucionárias e ter sucesso é entender como os hábitos funcionam. Transformá-los pode gerar bilhões e significar a diferença entre fracasso e sucesso, vida e morte. Duhigg conclui por que algumas pessoas e empresas têm tanta dificuldade em mudar, enquanto outras o fazem da noite para o dia. Descobre, por exemplo, como hábitos corretos foram cruciais para o sucesso do nadador Michael Phelps, do diretor executivo da Starbucks, Howard Schultz, e do herói dos direitos civis, Martin Luther King, Jr.: “Eles tiveram êxito transformando hábitos. Todos começam com um padrão psicológico. Primeiro, há uma sugestão, ou gatilho, que diz ao seu cérebro para entrar em modo automático e desdobrar um comportamento. Depois, há a rotina, que é o comportamento em si. Para alterar um hábito, é preciso modificar os padrões que moldam cada aspecto de nossas vidas. Entendendo isso, você ganha a liberdade – e a responsabilidade – para começar a trabalhar e refazê-los”, diz o autor. Um dos exemplos citados pelo autor diz respeito a ele próprio. Duhigg explica como conseguiu parar de consumir cookies no meio do dia de trabalho ao compreender o hábito que o levava diariamente a uma cafeteria para comê-los, mesmo sem fome – as visitas diárias ao lugar ocorriam por necessidade de socialização. “Refiz o hábito e, agora, pelas 15h30, levanto da minha mesa e procuro alguém para conversar por 10 minutos. E não como um cookie há seis meses”, conta ele. A prática é um dos segredos para a mudança: “Tarefas que parecem incrivelmente complexas no início, como aprender a tocar violão e falar uma língua estrangeira, podem se tornar muito mais fáceis depois de executadas inúmeras vezes. Maus hábitos, como fumar e beber demais, são superados quando aprendemos novas rotinas e a praticamos incessantemente.” Há ainda, segundo Duhigg, os chamados “hábitos mestres”, capazes de desencadear uma série de reações no modo da pessoa organizar sua própria vida. Um bom exemplo de um hábito mestre é o exercício físico. “Quando as pessoas começam a se exercitar regularmente, começam a mudar outros comportamentos que não estão relacionados à atividade física. Passam a comer melhor e a levantar da cama mais cedo. Fumam menos e se tornam mais pacientes. (…) Não está completamente claro porque isso ocorre, mas está provado que exercício é um hábito mestre, que propaga mudanças em todos os aspectos da vida.”

Fonte: LeLivros

Indomável Diante da Vida

Nick-vujicic-surfandoJá tive o prazer de ver uma árvore que cresceu sob o rigor do vento. Ela se entortou um pouco ao longo dos anos para cumprir a sua missão de ser grande e forte. Na sua estrutura aparente ficou marcada a luta por um “propósito” interior que era muito maior do que as adversidades ao redor. Sei que a árvore não é um ser pensando como o ser humano. Se ela pensa ou não deve fazê-lo da sua forma. A questão que ela me trouxe à tona foi o exemplo de algo vivo que se esforça pra cumprir o que veio a fazer no mundo. Assim também devemos ser nós.nick_vujicic trabalhando

Ontem tive a grata surpresa de conhecer o texto de Nick Vujicic. Eu já o tinha visto num vídeo do Youtube, compartilhando a sua vitória na vida quando ele fracassou em uma tentativa de suicídio. É muito tocante ver quando uma pessoa chega ao fundo do poço e de lá consegue impulso pra subir bem mais do que a superfície. É muito bom ver quando alguém descobre que tem asas.

Ao longo do livro ele vai compartilhando reflexões sobre algumas verdades da vida, coisas que todo mundo deveria saber pra ser mais feliz consigo mesmo. Leitura agradável e fluída, parece mais uma conversa com o leitor. Nem dá vontade de parar enquanto lemos. Sendo que em alguns momentos a leitura pede uma pausa pra reflexão e também rende umas gostosas risadas com situações pra lá de engraçadas. É um livro de leitura fácil, linguagem simples e conteúdo profundamente inspirador. Super indico a leitura desse que é o segundo livro de Nick. Fala sobre o quanto nós também podemos ser indomáveis em nosso propósito de ser o que Deus nos fez pra sermos.

Indomavel - Nick Vujicic

Trecho do livro: 

Você tem uma escolha. Pode ou não acreditar. Mas se você acreditar – no que quer que você acredite – deve agir de acordo. Senão, por que acreditar? Você pode ter enfrentado problemas em sua carreira, relacionamento ou saúde. Talvez você tenha sido maltratado, abusado ou discriminado. Todas essas coisas que lhe aconteceram definem você e sua vida se você não agir para se definir. Você pode acreditar nos seus talentos. Pode acreditar que tem amor para dar. Pode acreditar que é capaz de superar sua doença ou deficiência. Mas esta crença em si não trará uma mudança positiva para sua vida.

Nick-Vujicic Palestrando

Descrição do livro

Apesar de ter nascido sem braços nem pernas, Vujicic não deixou de desfrutar de grandes aventuras, desenvolver uma carreira compensadora e viver significativos relacionamentos amorosos. Nick Vujicic consegue superar as provações e dificuldades de sua vida ao concentrar-se na certeza de que nasceu com um propósito único e relevante. E não importa o quanto tudo pareça, às vezes, desesperador e difícil, Nick continua a acreditar, porque ele sabe – seu poder é desencadeado quando a fé entra em ação. E essa experiência de fé, essa certeza de que a dificuldade está aí para ser superada, pode ser conquistada por qualquer pessoa que realmente queira ter uma vida inacreditavelmente maravilhosa. As adversidades do mundo moderno como – problemas de relacionamento; desafios da carreira e do trabalho; preocupações com a saúde; pensamentos autodestrutivos e vícios; bullying e intolerância são infortúnios que podem ser descartados. É realmente possível conquistar o desejado equilíbrio entre corpo e mente; coração e espírito. Mas essa é uma conquista que demanda know-how; um conhecimento que Nick Vujicic tem de sobra – e está disposto a compartilhar.

Nick-Vujicic Casamento

Liberdade de Ser

Liberdade de Ser - EuGordinha

“É muito bom quando você conquista a liberdade de ser quem você é realmente independente do que os outros dizem ou pensam. Quando isso acontece parece que toda a vida de antes foi de uma outra pessoa. Mas quando você percebe que ainda existem algumas dores, pequenas feridas ainda frescas precisando de tratamento e cicatrizes que já não doem mas só fazem lembrar de batalhas que você já enfrentou; ai, então, você vê que você é quem realmente é e ainda tem uma porção de coisas pra conquistar.” (D.Nair – no romance EuGordinha)

Paixão Emagrece & Amor Engorda

Dica de leitura:

livro sonia hirsch

Trecho do livro “Paixão Emagrece, Amor Engorda” de Sonia Hirsch

“No início, a paixão emagrece. Ainda que o exercício seja só desfolhar o malmequer, ou apertar o celular com força, o coração dispara tanto que qualquer coisinha vale por 10 aeróbicas. E a verdade é que paixão recém-nascida é melhor que qualquer comida.

Seu apetite só pode ser saciado por coisas que não engordam: pele roçando na pele, mão esbarrando na mão, olhares que dizem tudo, beijos suspensos nos lábios. Muitas dúvidas – será que é paixão correspondida? Estará mesmo livre aquele coração?

O sono diminui, a adrenalina corre proporcionando reflexos rápidos, os olhos brilham. Dançar, cantar, dar risada, tudo o que é bom fica fácil. E o corpinho? Afina. Cada suspiro consome 100 calorias.

Até que, de repente, o desejo se realiza. Bem-me-quer, bem-me-quer! As bocas recheadas de beijos, a vida uma roda-gigante, comer para quê se o bom é amar, amar, amar? Noites movimentadas e dias à espera das noites: desnecessário também dormir. O sonho já virou vida e a vida virou estar junto. O resto se ajeita entre um encontro e outro, um telefonema e outro. Se não me engano foi Freud quem disse: paixão são dois náufragos agarrados na mesma tábua. Magros.

Aí, passado algum tempo, a paixão começa a se transformar em amor. Nossos náufragos chegam à segurança da ilha e resolvem cuidar juntos da vida, construir uma cabana e arranjar coisas para… comer. Afinal, eles merecem! Conquistaram o coração um do outro, isso não acontece todo dia, e tome celebração. É café na cama aqui, almoço ali, ceia acolá, uma viagem de férias cheia de comidas típicas, bebidas deliciosas, sobremesas fartas, e o prazer da intimidade matinal se prolonga até mais tarde, abrindo o apetite para novidades. Que a novidade já não é o outro, mas tudo o que se faz junto, tudo o que se gosta, tudo o que se adora. E pode haver algo mais adorável, excitante e gratificante do que descobrir que se gosta da mesma comida?

O amor come, o amor cozinha. O amor chama o amor de minha doçura e dá chocolates caros de presente. Compra vinhos, queijos e outras delícias. Comemora na mesa os sucessos da cama e o passar dos dias, dos meses, do ano – já um ano? Então, festa! Alegria, alegria! E assim o amor engorda.

O amor que engorda põe um olho no espelho e outro no outro, pra ver se engordaram os dois. Bingo. Bochechinhas, pneuzinhos, a cintura apertada pedindo discretamente para desabotoar o jeans… E aí, de duas, uma: ou vão ambos malhar na academia ou começam a chegar com umas roupinhas novas, larguinhas, mais confortáveis para ficar em casa, grudadinhos, vendo filmes e comendo pipoca.

Os da academia renovam a vida, se animam para um spa, resolvem caminhar de manhã e pedalar aos domingos; conhecem pessoas novas e de repente até se apaixonam de novo um pelo outro. Ou por outros.

Os das roupinhas largas, cada vez mais largas, em breve vão precisar de afrodisíacos. Ostras, lagostas, caviar, fígado, rins, testículos e miolos têm reputação de dar muita energia sexual. Temperos como pimenta, canela, noz-moscada, cravo, açafrão, baunilha e gengibre estimulam a circulação, portanto podem auxiliar o sangue a chegar mais abundantemente às zonas prazerosas. Champanhe tem fama de liberar a libido mais do que qualquer outro vinho, e alguns alimentos são tidos como realmente excitantes: aspargo, aipo e alho-poró por causa da forma, faisão e pombo pelo arroubo amoroso.

Um menu afrodisíaco citado pelo Larousse Gastronomique, a quem interessar possa: sopa de tartaruga com âmbar gris, linguado à moda normanda, filé de rena com creme de leite, pombo jovem assado, aspargos ao molho holandês, salada de agrião, pudim de tutano, vinhos do Porto e bordeaux, e finalmente café.

Se funciona, não se sabe; mas que engorda, engorda.”

Amizade Franca – O Nascimento de um Poeta

Carlos Drummond - EuGordinha

Quem conhece Carlos Drummond de Andrade? Eu tomei parte nos textos dele quando era adolescente. No início entendia tudo, depois foi-me ficando complicado decifrá-lo. Acho que, na verdade, quem se complicou, fui eu, por dentro, querendo tantas explicações para uma porção de coisas sem sentido. O texto que segue abaixo é uma pequena crônica dele, narrando parte de sua História. Muito bom ver como surge e se desenvolve uma pessoa cuja alma cresce e dá frutos, tantos que até podemos nos alimentar deles debaixo de seus ramos arvorados em galhos cheios de folhagem.

“Aí por volta de 1910 não havia rádio nem televisão, e o cinema chegava ao interior do Brasil uma vez por semana aos domingos. As notícias do mundo vinham pelo jornal, três dias depois de publicadas no Rio de Janeiro. Se chovia a potes, a mala do correio aparecia ensopada, uns sete dias mais tarde. Não dava para ler o papel transformado em mingau. Papai era assinante da Gazeta de Notícias, e antes de aprender a ler eu me sentia fascinado pelas gravuras coloridas do suplemento de Domingo. Tentava decifrar o mistério das letras em redor das figuras, e mamãe me ajudava nisso. Quando fui para a escola pública, já tinha a noção vaga de um universo de palavras que era preciso conquistar. Durante o curso, minhas professoras costumavam passar exercícios de redação. Cada um de nós tinha de escrever uma carta, narra um passeio, coisas assim. Criei gosto por esse dever, que me permitia aplicar para determinado fim o conhecimento que ia adquirindo do poder de expressão contido nos sinais reunidos em palavras. Daí por diante as experiências foram se acumulando, sem que eu percebesse que estava descobrindo a leitura. Alguns elogios da professora me animavam a continuar. Ninguém falava em conto ou poesia, mas a semente dessas coisas estavam germinando. Meu irmão, estudante na Capital, mandava-me revistas e livros, e me habituei a viver entre eles. Depois, já rapaz, tive sorte de conhecer outros rapazes que também gostavam de ler e escrever. Então começou uma fase muito boa de troca de experiências e impressões. Na mesa do café-sentado (pois tomava-se café sentado nos bares, e podia-se conversar horas e horas sem incomodar nem ser incomodado) eu tirava do bolso o que escrevera durante o dia, e meus colegas criticavam. Eles também sacavam seus escritos, e eu tomava parte nos comentários. Tudo com naturalidade e franqueza. Aprendi muito com os amigos, e tenho pena dos jovens de hoje que não desfrutam desse tipo de amizade crítica.” — Carlos Drummond de Andrade

O texto do Carlos encontrei na FanPage Reacreditar

Aprendendo Sempre

Bebe leitor - EuGordinha

Quem já sabe
aproveita pra por o que cabe
dentro da cabeça enquanto é tempo.
Quando a provação acontece
a gente só lembra do que aprendeu,
o que pra nunca mais esquece.

L. Ladislau

DA DISCRIÇÃO

Amizade - EuGordinha

DA DISCRIÇÃO

Não te abras com teu amigo
Que ele um outro amigo tem.
E o amigo do teu amigo
Possui amigos também…

— Mario Quintana

 

 

O PRIMEIRO BEIJO – Clarice Lispector

Beijando Estátua

Os dois mais murmuravam que conversavam: havia pouco iniciara-se o namoro e ambos andavam tontos, era o amor. Amor com o que vem junto: ciúme.
– Está bem, acredito que sou a sua primeira namorada, fico feliz com isso. Mas me diga a verdade, só a verdade: você nunca beijou uma mulher antes de me beijar? Ele foi simples:

– Sim, já beijei antes uma mulher.

– Quem era ela? perguntou com dor.

Ele tentou contar toscamente, não sabia como dizer.

O ônibus da excursão subia lentamente a serra. Ele, um dos garotos no meio da garotada em algazarra, deixava a brisa fresca bater-lhe no rosto e entrar-lhe pelos cabelos com dedos longos, finos e sem peso como os de uma mãe. Ficar às vezes quieto, sem quase pensar, e apenas sentir – era tão bom. A concentração no sentir era difícil no meio da balbúrdia dos companheiros.

E mesmo a sede começara: brincar com a turma, falar bem alto, mais alto que o barulho do motor, rir, gritar, pensar, sentir, puxa vida! como deixava a garganta seca.

E nem sombra de água. O jeito era juntar saliva, e foi o que fez. Depois de reunida na boca ardente engulia-a lentamente, outra vez e mais outra. Era morna, porém, a saliva, e não tirava a sede. Uma sede enorme maior do que ele próprio, que lhe tomava agora o corpo todo.

A brisa fina, antes tão boa, agora ao sol do meio dia tornara-se quente e árida e ao penetrar pelo nariz secava ainda mais a pouca saliva que pacientemente juntava.

E se fechasse as narinas e respirasse um pouco menos daquele vento de deserto? Tentou por instantes mas logo sufocava. O jeito era mesmo esperar, esperar. Talvez minutos apenas, enquanto sua sede era de anos.

Não sabia como e por que mas agora se sentia mais perto da água, pressentia-a mais próxima, e seus olhos saltavam para fora da janela procurando a estrada, penetrando entre os arbustos, espreitando, farejando.

O instinto animal dentro dele não errara: na curva inesperada da estrada, entre arbustos estava… o chafariz de onde brotava num filete a água sonhada. O ônibus parou, todos estavam com sede mas ele conseguiu ser o primeiro a chegar ao chafariz de pedra, antes de todos.

De olhos fechados entreabriu os lábios e colou-os ferozmente ao orifício de onde jorrava a água. O primeiro gole fresco desceu, escorrendo pelo peito até a barriga. Era a vida voltando, e com esta encharcou todo o seu interior arenoso até se saciar. Agora podia abrir os olhos.

Abriu-os e viu bem junto de sua cara dois olhos de estátua fitando-o e viu que era a estátua de uma mulher e que era da boca da mulher que saía a água. Lembrou-se de que realmente ao primeiro gole sentira nos lábios um contato gélido, mais frio do que a água.

E soube então que havia colado sua boca na boca da estátua da mulher de pedra. A vida havia jorrado dessa boca, de uma boca para outra.

Intuitivamente, confuso na sua inocência, sentia intrigado: mas não é de uma mulher que sai o líquido vivificador, o líquido germinador da vida… Olhou a estátua nua.

Ele a havia beijado.

Sofreu um tremor que não se via por fora e que se iniciou bem dentro dele e tomou-lhe o corpo todo estourando pelo rosto em brasa viva. Deu um passo para trás ou para frente, nem sabia mais o que fazia. Perturbado, atônito, percebeu que uma parte de seu corpo, sempre antes relaxada, estava agora com uma tensão agressiva, e isso nunca lhe tinha acontecido.

Estava de pé, docemente agressivo, sozinho no meio dos outros, de coração batendo fundo, espaçado, sentindo o mundo se transformar. A vida era inteiramente nova, era outra, descoberta com sobressalto. Perplexo, num equilíbrio frágil.

Até que, vinda da profundeza de seu ser, jorrou de uma fonte oculta nele a verdade. Que logo o encheu de susto e logo também de um orgulho antes jamais sentido: ele…
Ele se tornara homem.

(In “Felicidade Clandestina” – Ed. Rocco – Rio de Janeiro, 1998)

Beijo na Estátua

Afinidades

Afinidades - EuGordinha

Afinidades, laços, fios que nos unem, nos amarram. Fios finos ou grossos. Cordas, Correntes. Laços de sangue, de alma, de espírito. O que nos torne mais próximos uns dos outros, o que nos torne mais unos.

Leonardo Ladislau

Viagens

Viajar - EuGordinha

“Para viajar basta existir.”

(atribuído a Fernando Pessoa)

A gente não precisa ter muita bagagem. Leva a si mesmo e uma duas ou três mudas de roupa. Um livro, ou caderno, caneta e lápis, gravador, máquina fotográfica ou telefone celular que faça a vez disso tudo. Já to levando coisas demais né? O bom é lembrar de levar a alma dentro do corpo. Pois na verdade é a alma quem viaja. Às vezes, mesmo quando o corpo não vai aos destinos da viajem geográfica, a alma vai tão leve e solta, rápida… e ainda tem a audácia de voltar no tempo, pular no futuro e voltar cheia de novidades e velharias. É preciso muito cuidado com o que a alma leva e traz na sua bagagem, pois no final das contas podemos acabar sendo o que ela tem consigo.

Leonardo Ladislau

Riscos

Riscos - EuGordinha

– …a gente também acostuma de sentir saudades e não ser correspondida, né?

– Acho que sim, né? Só dói um pouco, mas…

– Amar pode ser perigoso.

– Viver também.

 

A Calma Fúria do Furacão

A Calma Fúria do Furacão EuGordinha

“Quem vê cara
Não vê coração”
Vê apenas a máscara
mistura de talvez,
sim e não.
Quem pensa conhecer de mim
pelo que simplesmente
a minha alma aparenta
pode ficar decepcionado
pois nem sempre o furacão
se mostra na poeira que assenta.

Envergo Mas Não Quebro

Envergo Mas Não Quebro

Lenine

Se por acaso pareço
E agora já não padeço
Um mal pedaço na vida

Saiba que minha alegria
Não é normal todavia
Com a dor é dividida

Eu sofro igual todo mundo
Eu apenas não me afundo
Em sofrimento infindo

Eu posso até ir ao fundo
De um poço de dor profundo
Mais volto depois sorrindo

Em tempos de tempestades
Diversas adversidades
Eu me equilibrio e requebro

É que eu sou tal qual a vara
Bamba de bambú-taquara
Eu envergo mas não quebro (2x)

Não é só felicidade
Que tem fim na realidade
A tristeza também tem

Tudo acaba, se inicia
Temporal e calmaria
Noite e dia, vai e vem

Quando é má a maré
E quando já não dá pé
Não me revolto ou me queixo
E tal qual um barco solto
Salto alto mar revolto
Volto firme pro meu eixo

Em noite assim como esta
Eu cantando numa festa
Ergo o meu copo e celebro

Os bons momentos da vida
E nos maus tempos da lida
Eu envergo mas não quebro (4x)

Lenine - EuGordinha

Delicadezas

amor delicado EuGordinha

O amor é feito de delicadezas,
Atos delicados,
Palavras delicadas, pensamentos delicados,
E vontade dedicada.
(Leonardo Ladislau)

 

Mudanças

Qual a função de um artista? De um escritor ou poeta – que é quem trabalha com a matéria-prima palavra e faz dela seu tudo e nada? No meu ver a função do artista das palavras é criar um mundo dentro do qual o leitor habite por momentos e veja a vida diferente.

Hoje de manhã vivenciei isso e a sensação foi muito boa. Preferi omitir em parte o nome da autora para preservar sua privacidade…

Cidade de Interior - foto meramente ilustrativa

Cidade de Interior – foto meramente ilustrativa

Pessoas lindas que estão varadas de saudades de mim, mudei, estou em outra cidade, amei a cidade, a minha rua, a minha casa, é tudo tão perfeito que tenho medo de acordar e ver q estava só sonhando, mas agora a pouco acabei de ver um matuto lindo vestido de cinza olhando pra mim, e percebi, é estou acordada… hehhe…gostei das pessoas, o bairro onde moro é uma delicia, faço caminhada quase todos os dias, bebo água de coco, volto pra casa com pão quente durmo cedo, acordo cedo, moro com uma família de marimbondos africanos lindos e nada amistosos, estamos em negociação por uma vizinhança pacífica, as pessoas são tranquilas educadas, dão bom dia e ainda sorriem pra vc….agora estou só na espera de que meu trabalho comece e que minha felicidade se torne completa…

D.S.

 

O Que Você Tem a Perder?

Alguns podem perder o medo, o preconceito, a baixa auto-estima, e etc e tal…

Normalmente nós gordinhas demoramos para nós aceitar, a leitura de um bom livro a esse respeito pode nos ajudar a acelerar esse processo.
E uma boa dica é o livro: Nada a Perder, subtítulo: Como Viver Feliz no Corpo que Tem, De: Cheri K. Erdman.
Esse livro fala sobre os padrões de beleza que a sociedade impõe.
A Autora é médica, terapeuta e educdora, desde criança convive com todos os problems e estereótipos que a sociedade impingi ao chamado “gordo”. Tem, portanto, todas as qualificações para bem orientar as mulhere que lutam com o excesso de peso.”
Ela entrevistou e trabalhou com centenas de mulheres, e inclui nesta obra as histórias de muitas delas, para ilustrar os sofrimentos, as alegrias, a frustração e o triunfo que fazem parte da jornada em busca da auto-aceitação.

“Quem foi que disse que tem que ser magra para ser formosa?” Roberto Carlos e Erasmo Carlos

Via CherryBurnable.blogspot.com.br

O Velho, O Menino e o Burro

Numa tarde bem ensolarada, um velho, um menino e um burrinho começam a atravessar uma longa rua de chão batido numa cidadezinha muito amigável por causa do convívio dos seus moradores.

Caminhavam humildemente: o velho em cima do burrinho e o menino a pé puxando-o pela corda. Quando eles já haviam andado poucos metros dessa rua passaram perto de um mercadinho onde várias senhoras distintas e muito trabalhadoras começaram a comentar:

– Que velho mais folgado, permitir que aquele menininho tão novo fique andando nesse chão batido, enquanto ele tranquilão vai a cima do burro. Ah!cada pessoa sem coração se fosse meu parente eu já falava umas boas.

O velho ouviu isso e ficou confuso e partilhando com o menino disse que era melhor eles trocarem, pois nem percebeu que estava fazendo algo tão errado assim. Daí então: o menino subiu em cima do burro e o velho foi puxando o animal. Andaram mais uns 10 metros e passaram perto de um bar onde havia uns homens bebendo e criticando disseram:

– Que menino malvado, todo alegre em cima do burro, enquanto o seu avozinho, coitado, fica andando nesse sol forte a pé. Ah! se fosse meu filho eu já dava umas boas palmadas e pedia para ele caminhar.

O menino ouvindo isso ficou chateado e disse ao velho. Olha vovô, é melhor o senhor também subir no burrinho, talvez esse povo pare de nos provocar. E assim fizeram: o velho e o menino subiram em cima do burro e continuaram a travessia daquela longa rua. Quando estavam passando perto de um campinho de futebol, muitos meninos e meninas que ali brincavam começaram a gritar:

– Seus loucos… sem coração. Onde já se viu duas pessoas tão fortes e saudáveis judiarem tanto de um animal indefeso e fraquinho. Isso deveria ser denunciado à sociedade protetora dos animais.

O menino e o velho olharam um para o outro e ficaram surpresos, pois eles sabiam que aquele burrinho era bem forte. Porém, na dúvida de estarem judiando do animal decidiram que: o velho e o menino iriam descer do animal e andar os dois a pé para não cansá-lo. Feito isso acreditavam poder seguir tranquilos, pois agora ninguém tinha o que mais falar deles. Mas, antes de saírem da cidade ainda passaram por uma Paróquia onde as pessoas acabaram de sair da Missa e conversavam na praça. Essas pessoas quando viram aquela cena começaram a rir, chamaram o Padre, ele também rindo, disse:

– Ó Senhor! Ajuda essas mentes ignorantes! Daí-lhes uma luz! Onde já se viu um velho e um menino tão idiotas, andando a pé nesse calor, enquanto puxam um animal tão forte que poderiam levar os dois sem problemas.

Depois de ouvirem isso o velho e o menino até choraram, pois não esperam que tanta gente e até mesmo gente da Igreja, o Padre, pensasse tanto mal deles e comentaram entre si: o que fizemos de errado e o que podemos fazer de certo? A única opção que sobrou é colocar o burro em cima deles e isso daria ainda maior motivo de sarro e injúrias. Foram então que decidiram, vamos logo embora dessa cidade, não vamos ficar aqui nem mais um segundo e, montando os dois no burrinho saíram a galope sem dar atenção a ninguém. Mas, ainda não estava terminado, quase no fim daquela rua, umas pessoas fizeram questão de gritar cheios de razão:

– Gente orgulhosa. Passe pela nossa cidade e nem é capaz de nos cumprimentar. Na verdade ali temos três burros, isso sim. E quem sabe o de quatro patas é mais inteligente. Vão mesmo e não voltem!!!

REFLETINDO: quando alguém está decidido a falar mal de você. Não importa o que você faça de bom ou de ruim. O projeto dos corações maliciosos e malvados já está feito. E suas atitudes não mudaram em nada o que eles pensam. E então, o que fazer? Seja você mesmo. Erre e acerte. Tente e invista. Marque um objetivo e chegue até ele usando os bons meios e não fique parando no caminho, nos bares, mercearias, campinhos e até mesmo praças de paróquias, onde, na maioria das vezes, só ficam aqueles que não tem o que fazer com suas próprias vidas e se dedicam fervorosamente a cuidar da vida dos outros. Numa história como essa, feliz é o burro que não entende como está sendo julgado e só faz se deixar conduzir pelas mãos dos seus proprietários. Que eu e você também sejamos um burrinho, mas de Jesus. Pois, Ele sabe como nos falar, onde nos levar e como nos corrigir. Talvez esse velho e esse menino nunca mais voltaram naquela cidade e isso não significa falta de perdão, mas sim de sentimentos. Ninguém é de papel ou de pedra. Cuidado com o que você fala, pois pode perder um amigo, um cliente, um empregado e até mesmo um familiar para o resto da vida. Daí, só no juízo final para as coisas se acertarem definitivamente. Se você está vendo alguém errar ou pensa que ele esta errando, se informe diretamente com a pessoa, pois de comentários, suposições e partilhas daninhas o inferno está cheio.

Versão do Teatro de Sombras