Vai Ter Gorda Na Praia!

Eis um fato da vida, que foi manifesto num ato contra o preconceito, no dia de ontem, domingo, 13 de janeiro de 2019 na praia de Itapuã, em Salvador, na Bahia, Brasil. Daí vocês podem me perguntar o motivo de eu estar começando o texto assim como se fosse notícia de jornal, fato histórico, mas é porque de fato foi assim que aconteceu.

O objetivo foi chamar a atenção para o direito da mulher gorda ocupar o seu espaço público indo de encontro ao preconceito que chamamos de “gordofobia”.

Vai Ter Gorda na Praia em 2019 - mulheres gordas em vários formatos de corpo numa pose para foto

Como pode ser visto na foto acima, várias mulheres gordas aderiram ao movimento posando para expor seus corpos nas mais variadas formas de fofice, como uma forma de chamar a atenção para o fato de que ser gorda não as impede de se sentirem lindas como de fato são, capazes de trabalhar no que se sentirem a vontade, dignas de respeito – o que não acontece muitas das vezes devido ao preconceito, o que acaba gerando uma discriminação terrível.

Vai Ter Gorda na Praia 2019 Salvador BA Brasil

O movimento já existe desde 2016. Eu só estou tomando conhecimento agora em 2019. O grupo surgiu com o intuito de combater a gordofobia, e promover a valorização das mulheres gordas, conforme disse Adriana Santos, organizadora do grupo.

Achei uma iniciativa bacana. Será que poderíamos chamar esse tipo de movimento de Fat Power? Acho que sim. Inclusive esse termo já existe e assim como o Black Power que surgiu para evidenciar a cultura e resistência negra numa sociedade predominantemente racista, o Fat Power se propõe a expor as mazelas sofridas por quem tem um corpo mais volumoso do que o padrão estético imposto como melhor do que os outros.

Sabe o que eu acho infeliz nisso tudo? O fato de ainda ser necessário esse tipo de manifestação no mundo. Isso demonstra o tanto que ainda precisamos evoluir para aceitarmos uns aos outros e mais, aceitarmos a nós mesmos tal qual somos. Quantas pessoas ainda precisarão sofrer com bullying, discriminação, rejeição e auto rejeição pelo fato de terem um corpo diferente do que uma grande maioria opina não ser aceitável?

Padrões estéticos não deveriam ser a regra para medir o tanto que uma pessoa deveria fazer ou não com o seu corpo para ser aceitável na sociedade. Ao dizer isso eu não defendo o excesso de peso ao extremo de prejudicar a saúde. Sou muito a favor de que cada mulher decida qual corpo quer ter, desde que se mantenha saudável, feliz, de bem consigo mesma e com aqueles que a amam e a aceitam como ela é. O respeito por si mesma também deve ser levado em consideração.

Parabéns para as meninas do movimento #VaiTerGorda, seja na praia, no shopping, no parque, onde cada gorda bem quiser estar! O mundo é nosso e não apenas de uma minoria que deseja regular quem deve ou não deve ser do jeito que eles querem. Um Salve bem grande para a liberdade de existir, seja como bem quisermos!

Forte abraço pras amiggas!

Luislinda Valois – A Primeira Juíza Brasileira (Negra)

Meninas, me perdoem… 😦 quando passou o dia 8 de março de 2012, Dia Internacional da mulher, eu fiz uma mera menção à data por aqui, mas não aproveitei a oportunidade pra expressar toda a minha admiração por essa criação extraordinária de Deus. Sem desprezar de vista as devidas exceções, que são poucas, a mulher em si é um ser magnífico e dizem os bons pensantes que é por isso que Deus a fez em segundo lugar. Pois antes de toda obra prima, há um esboço.

Começando com uma série que chamarei de Grandes Mulheres [independentes de serem gordinhas ou não rsrs] segue a história de Luislinda Valois. Apreciem sem moderação!

A juíza Luislinda Valois é conhecida em todo o mundo por ter sido a primeira magistrada afrodescendente do Brasil. No Dia da Consciência Negra (20 de novembro) ela foi uma das principais homenageadas no evento realizado na Praça Castro Alves, em Salvador, para celebrar a negritude.

Mas, ao que parece, tudo isso não vale nada na capital da Bahia. Ao chegar na entrada do camarote, instalado na Praça que leva o nome do poeta abolicionista, ela foi barrada pela segurança. A alegação foi de que a juíza estava sem credencial.

“Mas, eu sou a homenageada”, afirmou. Depois do momento constrangedor, a situação foi resolvida. E mesmo com o infortúnio, Luislinda Valois disse à imprensa que tratava-se de um momento único em sua vida.

Santa de casa 

A juíza baiana Luislinda Valois, 66, decretou a primeira sentença aos 9 anos, numa aula de matemática. A filha de Luiz, motorneiro de bonde (responsável por recolocar o carro elétrico no trilho), e da costureira Lindaura estava contente com o compasso de madeira que seu pai havia comprado à custa de muito suor.

Quando o professor viu que o material não era de plástico, soltou: “Você não devia estar estudando, e sim cozinhando feijoada para branca!”. Ainda hoje, 57 anos depois, os olhos da primeira juíza negra e de cabelo rastafári do Brasil se enchem de lágrimas ao lembrar da cena que definiu seu futuro: “Vou ser juíza para te prender!”, sentenciou.

Luislinda não é mulher de desonrar palavra, mas resolveu usar o poder com gente mais precisada.

Lavadeira e miss

Filha de Iansã, orixá do candomblé que simboliza a encarnação de tempestades e raios, ela criou, em 2003, o projeto Balcão de Justiça e Cidadania (em parceria com a Fundação Norberto Odebrecht), que resolve conflitos de populações de bairros pobres de Salvador, áreas de remanescentes dos quilombos e comunidades indígenas.

Por feitos como esse, tem passagem livre em lugares como o bairro da Paz, a região mais violenta da capital baiana. Mas não é de agora que Luislinda gosta de desafio. Aos 7 anos, lavava fraldas para pagar o curso de datilografia. Aos 15, com a morte da mãe, virou chefe da casa que dividia com três irmãos e o pai.

Na escola, era a primeira da sala. Antes de cursar Direito, foi eleita Miss-Mulata Bahia e estudou teatro e filosofia. Em 1991 passou em primeiro lugar em um concurso nacional para a Advocacia Geral da União (AGU). Virou juíza em 1984 e até hoje não abre mão de seus colares de conta do candomblé nas audiências. “Só de olhar, sei se uma testemunha vai mentir”, garante.

Negra, pobre, divorciada e rastafári
Luislinda já não participa dos projetos que criou, escreve um livro sobre a influência negra nas metrópoles e passa férias na casa do único filho, o promotor de justiça Luis Fausto, em Aracaju (SE), com suas duas netas. Com a consciência apoiada num confortável travesseiro, ela dorme tranqüila.

Em casa Luislinda sempre falou para eles que ser negro é maravilhoso. Mas também que não era para deixar ninguém tomar conta deles. “Sou muito séria nas minhas posições. Não posso vacilar, afinal sou negra, pobre, vim da periferia, sou divorciada e ainda sou rastafári”, brinca.
A autora do livro O negro no século XXI, publicado em maio deste ano pela Juruá Editora. A obra reúne artigos sobre temas variados como cultura, educação, políticas públicas, justiça social e religião. Todos mediados pela experiência negra no país pós-escravidão.
Além de primeira juíza negra brasileira, Luislinda também foi a primeira a dar uma sentença tendo como base a Lei do Racismo. Foi a ação movida por Aila Maria de Jesus, que se recusou a abrir a bolsa num supermercado, depois de ter sido acusada injustamente de ter roubado um frango e um sabonete.

A trajetória da magistrada impressionou a jornalista paulista Lina de Albuquerque, autora do livro Recomeços, que reúne histórias de pessoas que foram capazes de reconstruir a vida diante de uma situação adversa. Depois de fazer um pequeno perfil da baiana para a publicação, Lina está escrevendo a biografia dela, que deve ser lançada até o final do ano.

* Dados colhidos nos sites da Revista TPM, da Juruá Editora, dos jornais Bahia Notícias e Correio 24 horas. Imagem da Revista TPM.