Carolina Maria de Jesus

Continuo achando mulheres que servem de exemplo para uma vida poderosa.
A mulher de hoje é Carolina Maria de Jesus. Mulher, negra, escritora, compositora, poetisa, Resiliente, ex-favelada, esforçada, traduzida para mais de 13 idiomas, então reconhecida internacionalmente pela publicação de seu livro “Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada” publicado em 1960. Você pode achar o livro aqui.

Hoje, 14 de março, se comemora os 105 anos de nascimento de Carolina Maria de Jesus. Algo interessante de ser dito é que no Brasil onde ainda há racismo, muitos negros, homens e mulheres, jovens, crianças, ainda enxergam em suas peles uma cor digna de não merecimento do que a vida pode ter de melhor e por conta disso não se posicionam de uma maneira poderosa. Sendo assim, é bom quando exemplos como o de Carolina são trazidos à tona, para nos mostrar que não é apenas num golpe de sorte que a vida pode se transformar de uma vida sofrida em uma vida agradável.

O maior de todos os esforços que pode ser feito para que a vida seja transformada em algo melhor do que tem sido, acontece dentro de cada pessoa que deseja mudanças. Os pensamentos precisam mudar, para que a vida também mude e tome um rumo novo, mais digno e confortável. Carolina se esforçou em por pra fora de si tudo o que pensava e sentia por meio de palavras que tocaram as pessoas mostrando uma realidade que existe até hoje para milhares de pessoas pelo mundo afora. Sua construção foi boa, tanto que alcançou reconhecimento de muita gente. Mas se pararmos pra pensar no que se seguiu depois, podemos ver que é necessário que a nossa mudança interior encontre as profundezas de quem somos e seja capaz de mudar nossa estrutura, de uma tal forma que tudo o que viermos a conquistar se mantenha de pé e nosso sucesso não seja temporário.

Segue abaixo uma pequena biografia da mulher Carolina Maria de Jesus

“Assim como viveu o cotidiano cruel da favela, conheceu artistas nas saídas dos teatros e acabou por se aproximar do jornalista Audálio Dantas, que, ao ler os diários daquela mulher negra e pobre, escritos nos mais diversos tipos de papel, reconheceu neles algum talento. Antes, Carolina se considerava escritora e sonhava alto: queria ser publicada em inglês, nos Estados Unidos. Para começar, Audálio Dantas orientou-a junto à editora Francisco Alves, acompanhou o contrato de edição e, em 1960, ela lançaria seu primeiro livro, Quarto de despejo, que vendeu dez mil exemplares em um mês. O sucesso de vendas representou sua saída da favela do Canindé e a hostilidade dos moradores daquela comunidade, que se sentiram expostos na obra então recém-lançada. Foi traduzido para 15 idiomas.

Carolina de Jesus conheceu o sucesso e o fracasso quase simultaneamente. Não só teve a glória de se hospedar no Copacabana Palace, a convite da revista Life, em 1960, como, no ano seguinte, a RCA lançou um disco com canções em que ela assina letra e música. No entanto, a fama durou pouco. O fracasso viria com as publicações posteriores: Casa de alvenaria: diário de uma ex-favelada, de 1961. Provérbios, e Pedaços da fome, de 1963. A última obra, Diário de Bitita: um Brasil para brasileiros, publicada primeiro na França pela prestigiosa Éditions Métailié, com o título de Journal de Bitita, só sairia no Brasil em 1986. Depois de conhecer a fama, a autora voltou à vida de pobreza. Morreu em 13 de fevereiro de 1977, na casa de um dos quatro filhos.”

(texto do site do Instituto Moreira Sales)

Quem Foi Carolina Maria de Jesus

Conversa com Pedro Bial: Conheça Carolina Maria de Jesus

 

Descobrimos a Fonte da Juventude!

A Fonte Da Juventude Chama-Se Mudança
Por Lya Luft

“Mês passado participei de um evento sobre as mulheres no mundo contemporâneo. Era um bate-papo com uma plateia composta de umas 250 mulheres de todas as raças, credos e idades. E por falar em idade, lá pelas tantas, fui questionada sobre a minha e, como não me envergonho dela, respondi.

Aí fiquei pensando: ‘pô, estou neste auditório há quase uma hora exibindo minha inteligência, e a única coisa que provocou uma reação calorosa da mulherada foi o fato de eu não aparentar a idade que tenho? Onde é que nós estamos?’

Onde, não sei, mas estamos correndo atrás de algo caquético chamado ‘juventude eterna’. Estão todos em busca da reversão do tempo.

Acho ótimo, porque decrepitude também não é meu sonho de consumo, mas cirurgias estéticas não dão conta desse assunto sozinhas.

Há um outro truque que faz com que continuemos a ser chamadas de senhoritas, mesmo em idade avançada.

A fonte da juventude chama-se mudança.

De fato, quem é escravo da repetição está condenado a virar cadáver antes da hora. A única maneira de ser idoso sem envelhecer é não se opor a novos comportamentos, é ter disposição para guinadas.

Eu pretendo morrer jovem aos 120 anos. Mudança, o que vem a ser tal coisa?

Minha mãe recentemente mudou do apartamento enorme em que morou a vida toda para um bem menorzinho. Teve que vender e doar mais da metade dos móveis e tranqueiras, que havia guardado e, mesmo tendo feito isso com certa dor, ao conquistar uma vida mais compacta e simplificada, rejuvenesceu.

Uma amiga casada há 38 anos cansou das galinhagens do marido e o mandou passear, sem temer ficar sozinha aos 65 anos. Rejuvenesceu. Uma outra cansou da pauleira urbana e trocou um baita emprego por um não tão bom, só que em Florianópolis, onde ela vai à praia sempre que tem sol. Rejuvenesceu.

Toda mudança cobra um alto preço emocional. Antes de se tomar uma decisão difícil, e durante a tomada, chora-se muito, os questionamentos são inúmeros, a vida se desestabiliza. Mas então chega o depois, a coisa feita, e aí a recompensa fica escancarada na face.

Mudanças fazem milagres por nossos olhos, e é no olhar que se percebe a tal juventude eterna. Um olhar opaco pode ser puxado e repuxado por um cirurgião a ponto de as rugas sumirem, só que continuará opaco porque não existe plástica que resgate seu brilho. Quem dá brilho ao olhar é a vida que a gente optou por levar. Olhe-se no espelho”.

Via Portal raízes