(Des)Valorizar Palavras

(Des)Valorizar Palavras

“Aprendi a estar desatenta de um modo muito valioso. Não dar atenção ao que certas pessoas dizem e ao que dizem outras pessoas. Há diferença nisso. É necessário usar um filtro. Certas pessoas vão sempre dizer o mesmo tipo de coisas e essas coisas que dizem podem ser descartadas sem o mínimo cuidado. Agora, o que dizem certas pessoas, deve ser no mínimo avaliado primeiro antes de se jogar fora.

Foi bom pra mim ter aprendido a fazer “ouvido de mercador” pra algumas coisas. Para quem não conhece essa expressão quer dizer que a gente ouve das coisas, mas elas entram por um ouvido e saem pelo outro, não ficando a fazer morada dentro de nossas cabeças. O que é bom a gente ouve e guarda, o que for ruim a gente joga fora. Isso é fazer uso do filtro. O que nos serve para o bem, para o nosso crescimento pessoal, para a elevação da nossa auto estima, isso a gente guarda. Guarda inclusive algumas verdades que podem ser ditas e de modo duro acabam machucando a gente por dentro, porque essas tais coisas podem ser a revelação de algo em nós que não é tão agradável de se ter. Se esse algo nos causa algum tipo de prejuízo e se quem diz o faz na intenção de nos ajudar a mudar de vida, melhor ainda… embora nem por isso menos dolorido.

Então, foi bom pra mim ter aprendido a valorizar e desvalorizar as palavras que ouvia a meu respeito. Foi muito bom deixar de ouvir algumas coisas que me diziam, pois simplesmente não eram verdade. Hoje em dia sinto que vivo bem melhor.” (Gaia, no romance EuGordinha)

Dia do Sexo? Toma um trechinho de romance pra adoçar o dia… ou apimentar

Trecho do Romance:

Diante de tudo o que ele já tinha demonstrado, eu pensava que nossos desejos eram iguais, que não haveria problema algum. Realmente não houve; pelo contrário. Se eu soubesse que toda a solução estava nisso… A solução de meu corpo faminto era ser saciado na fome dele. Acontece que enquanto eu lhe dava migalhas e ele por pacientes gestos de amor se continha, ambos padeciam a fome que nos deixava loucos um pelo outro. Eu nunca tinha entendido até então que o ditado “Juntar a fome com a vontade de comer”, não tinha de ter necessariamente comida pra comer. Duas fomes sinceras se completam se entre ambas houver consentimento. Depois de eu ter lhe sussurrado a permissão, como quem dá as chaves de uma casa nova, ele se levantou da cama se apoiando nas duas mãos e deu um jeito de se ajeitar sobre mim. Com as chaves nas mãos ele se preparava pra entrar dentro de mim, morar em mim… Seu peso de corpo sobre o meu tinha a tensão dos corpos celestes, digo isso pensando no tanto de peso que deve ter a lua no céu, sustentada por fios invisíveis, parecendo tão leve e solta. Digo isso lembrando de olhar bem de perto os olhos dele e ver desejo, lembrando da aproximação ruidosa, som de respirar abafado, apressando, me deixando em suspense pra saber o que aconteceria, lembrando que ao sentir o rosto dele deslizando no meu indo de encontro ao travesseiro, beijando e mordiscando a minha orelha, eu vi no teto o lustre simples de sofisticado, por um fio suspensa uma armação com três luminárias em formato de flores exóticas e as luzes estavam acesas, meu Deus como eu me abria tanto, sim, eu me abria a ser vista no claro, ao invés de ter meu corpo em eclipse, sendo possuída num quarto escuro com alguma luminária voltada em seu rosto luminoso pra parede. Já que tinha de ser assim, que fosse inteiro. Que ele visse o meu corpo em forma de desejo imenso, pesado, gordo, formoso, como ele me admirava tanto. Mesmo tendo permissão pra me ter por completa eu não o senti me invadindo como esperava que acontecesse. Ou invés de um tsunami súbito a maré ia subindo disfarçada e quebrando as minhas barreiras. Castelos de areia ruíam em silêncio, ou melhor, em gemidos sutis. Foi aos poucos mesmo que me percebi afastando os joelhos das pernas deitadas na cama o corpo dele deslizando pra dentro do espaço que eu criava. A pressão da barriga dele na minha aliviou um desejo que eu tinha sem saber. A minha fofura, como ele insistia em dizer, queria a rudeza dele, os pelos de homem sobre o corpo firme e macio. A minha respiração foi mudando e me senti quente. As minhas mãos iam e vinham pelas costas largas dele, sem me arriscar o agarrar com força aranhando sua pele. Mas ele disse que esperava eu fazer isso, porque eu disse que daquela noite não passava o nos entregarmos.