Equilíbrio

Equilíbrio - EuGordinha

Muito cansaço faz com que enxerguemos as coisas diferentes do que realmente são. Muita alegria também faz isso. Paixão, então, nem se fala… Faz a gente enxergar o que quer, como e quando quer… e quando as coisas saem de nosso controle, raiva, ciúmes e uma porção de outras coisas que nos abatem surgem com uma facilidade tremenda de nos abater.

Solução pra isso tudo: Reflexão e prática das boas maneiras… quais? Aquelas que nossa mãe dizia e a gente não queria dar muito ouvido. Exercitar a paciência, falar menos e ouvir mais, dar ouvido ao que diz a vozinha interior que nem sempre diz o que queremos ouvir, mas sempre o que precisamos.

Coração Quebrado

“Quelque chose s’était cassé dans mon moteur”
(Antoine de Saint-Exupéry, no Le Petit Prince)

Quando comecei a estudar Francês comprei uma edição original do Pequeno Príncipe para ir treinando a nova língua. Lia aos poucos, degustando o significado e a pronúncia de cada palavra. Me encantei com a citação acima, que de quando em quando volta à minha memória. Nos momentos em que meu coração me diz que eu preciso refletir sobre algo que não está bem dentro de mim e eu não consigo perceber muito bem o que é. A citação está logo no início do livro, quando o aviador conta que teve de fazer um pouso de emergência no meio do deserto do Saara, porque “alguma coisa se quebrou no seu motor”, o motor de seu avião. É quando solitário no meio do deserto ele se encontra com o principezinho viajante que o faz viajar no seu pequeno mundo e desvendar os segredos dos relacionamentos humanos.

Todos precisamos de vez em quando notar que alguma coisa “se quebrou” em nosso motor interior. Prestar atenção quando algo não vai bem pode nos poupar de dores maiores. É sempre bom parar e ver o que está fora do lugar, qual peça em nós não se encaixa bem, qual desejo não está sempre cumprido, qual obrigação não feita, ou o que está sendo feito em excesso. Não podemos pecar nem pelo excesso nem pela falta. Se estamos no deserto ou se temos um amigo no deserto, a questão é que precisamos avaliar nossos corações regularmente pra ver se é possível continuar viagem, sem o risco de morrermos por dentro, por causa de algum acidente de percurso. Afinal de contas, não somos perfeitos.

Consciência

AutoConsciência

concentração...

Quem é você? Onde você está? Onde pretende chegar?

Não, não estamos na aula de Filosofia, nem numa sessão de psicanálise ou qualquer coisa que o valha. Estou compartilhando umas perguntas essenciais que devemos nos fazer de quando em quando e nas quais me vi hoje achando uns trechos de mim onde eu menos suspeitava. Me fizeram a proposta de um exercício de quase meditação, na verdade era mais um exercício de tomada de consciência.

Me disseram assim: “Às vezes a gente está tão envolvido por uma porção de coisas que nos acontecem que nem percebe direito quem somos.” Ai propuseram o seguinte: Feche teus olhos e experimente sentir teu corpo. Teus pés, as mãos, os braços, pernas. Onde teu corpo repousa? Cadeira, cama, chão? Sinta o teu corpo. Perceba tua respiração, o som que faz. Perceba os sons ao redor – tente identificar de que são, de onde vêm, a que distância estão de ti. É um exercício de percepção. Apenas isso.

Sou adepta da meditação, quando a mesma envolva o pensamento em movimento e não apenas o esvaziamento de idéias. Temo que se eu tentar esvaziar minha mente, talvez sobre espaço pra coisas que não servem pra nada de bom, afinal, vovó diz que “Mente vazia é oficina do coisa-ruim”.