(Im)Perfeição

Somos (im)perfeitos. Algo óbvio, mas que passa desapercebido, ou será que não? Passa sim, pra muita gente passa. Demorei anos de minha vida pra aprender a colocar os sinais de parênteses onde deveriam estar de fato. Releia: “somos (im)perfeitos”. Compreendeu? Todo e qualquer ser humano que seja, por mais que trabalhe a respeito vai dar de frente com a sua própria (im)perfeição. Acontece que na maior parte do tempo as pessoas focam mais na imperfeição do que na perfeição. Perdem tempo olhando pra o que tem dentro de si mesmas que está errado, ou nem isso, olham por fora as coisas que fazem de errado e não conseguem descobrir por quais motivos agem como estão agindo, ou melhor… reagindo na maior parte do tempo. Sabe, a diferença entre a ação e a reação é que agindo a gente sabe por qual motivo está fazendo algo e na reação a gente só faz porque está sentindo um forte impulso pra fazer, sem pensar nas consequências, sem refletir, sem se dar conta do quanto pode ser dolorido o que acontecerá logo após… O que fazer então? Eu me dei muito bem comigo mesmo quando parei de ter raiva de mim, por exemplo. Quando percebi que muito da minha vida não estava dando certo porque EU estava agindo de modo inadequado, pois ao invés de ficar com raiva das atitudes erradas que eu estava tomando, fiquei com raiva de mim mesmo. O que parece muito natural, quando vejo por ai a maioria das pessoas fazendo o mesmo. É estranho quando a gente percebe que algo ruim parece natural, quando na verdade não deveria ser. É ruim quando a gente se dá conta de que as coisas erradas parecem acontecer em muito maior frequência do que as coisas certas. O bom da história é que dá pra mudar. Muito do que parece repetitivo na vida, do que parece que sempre foi assim e sempre será, pode sofrer uma mudança drástica e essa mudança pode ser pra melhor. A parte chata da história é que nem sempre é fácil perceber o quanto que podemos mudar e como fazemos isso. Estou me lembrando de uma vez no qual diante de uma situação de dor muito forte, foi dito: “Deve haver uma vida melhor do que essa”. E havia. Tive de aprender a ter paciência comigo mesmo pois uma parte de mim queria muito fazer as coisas darem certo na vida, mas a outra parte ainda vacilava muito e precisava aprender muitas coisas. Precisei aceitar os dois lados de mim mesmo, quem eu queria ser e quem eu estava conseguindo ser. Aceitar quem somos incondicionalmente, nos erros e acertos é parte do que chamam de amor próprio. Faz um bem sem medidas, todo mundo deveria aprender como se faz.

 

Da Aceitação

aceitacao eugordinha

Da Aceitação

Pois então: Não somos perfeitos! Diante dessa conclusão, o que fazer? Nos amar e nos amar um pouco mais amanhã. Mais do que hoje. Se tiver algo em nós que nos prejudique e que pudermos mudar, vamos ver por onde começar, o que fazer… Mas ficarmos sentados num canto se lamentando pelo que não somos, não me parece um bom caminho. Já perdi tempo demais fazendo isso e a minha vida não melhorou em nada por conta dessas lamentações e reclamações comigo mesmo. Nos culpar pelos erros cometidos também notei que não ajuda muito. Assumo que errei, não quero cometer os mesmos erros. Sofrer demais tem hora que cansa, não quero mais essa vida pra mim. Sei que há sofrimentos que surgem e não dependeram de uma ação nossa, coisas que simplesmente acontecem na vida e com as quais temos de lidar. Assim como o sol nasce pra todos, a chuva cai sobre o justo e o injusto – temos de lidar com isso. Mas na minha vida em particular, no que estiver sob meu controle, desde os pequenos prazeres aos grandes, eis o que eu quero de hoje em diante e até a eternidade. Amém