(Des)Valorizar Palavras

(Des)Valorizar Palavras

“Aprendi a estar desatenta de um modo muito valioso. Não dar atenção ao que certas pessoas dizem e ao que dizem outras pessoas. Há diferença nisso. É necessário usar um filtro. Certas pessoas vão sempre dizer o mesmo tipo de coisas e essas coisas que dizem podem ser descartadas sem o mínimo cuidado. Agora, o que dizem certas pessoas, deve ser no mínimo avaliado primeiro antes de se jogar fora.

Foi bom pra mim ter aprendido a fazer “ouvido de mercador” pra algumas coisas. Para quem não conhece essa expressão quer dizer que a gente ouve das coisas, mas elas entram por um ouvido e saem pelo outro, não ficando a fazer morada dentro de nossas cabeças. O que é bom a gente ouve e guarda, o que for ruim a gente joga fora. Isso é fazer uso do filtro. O que nos serve para o bem, para o nosso crescimento pessoal, para a elevação da nossa auto estima, isso a gente guarda. Guarda inclusive algumas verdades que podem ser ditas e de modo duro acabam machucando a gente por dentro, porque essas tais coisas podem ser a revelação de algo em nós que não é tão agradável de se ter. Se esse algo nos causa algum tipo de prejuízo e se quem diz o faz na intenção de nos ajudar a mudar de vida, melhor ainda… embora nem por isso menos dolorido.

Então, foi bom pra mim ter aprendido a valorizar e desvalorizar as palavras que ouvia a meu respeito. Foi muito bom deixar de ouvir algumas coisas que me diziam, pois simplesmente não eram verdade. Hoje em dia sinto que vivo bem melhor.” (Gaia, no romance EuGordinha)