Quem Sabe o Amor não Acaba…

Pra quem está em fase romantiquinha ou não, pra quem goste de especular sobre o amor, pra quem ainda está buscando explicações sensatas, científicas, convincentes, ou pra quem simplesmente gosta de ler o que pensam a respeito, segue uma reflexão de Martha Medeiros.

Amor Não Acaba - EuGordinha

O amor não acaba, nós é que mudamos

Um homem e uma mulher vivem uma intensa relação de amor, e depois de alguns anos se separam, cada um vai em busca do próprio caminho, saem do raio de visão um do outro. Que fim levou aquele sentimento? O amor realmente acaba?

O que acaba são algumas de nossas expectativas e desejos, que são substituídos por outros no decorrer da vida. As pessoas não mudam na sua essência, mas mudam muito de sonhos, mudam de pontos de vista e de necessidades, principalmente de necessidades. O amor costuma ser amoldado à nossa carência de envolvimento afetivo, porém essa carência não é estática, ela se modifica à medida que vamos tendo novas experiências, à medida que vamos aprendendo com as dores, com os remorsos e com nossos erros todos. O amor se mantém o mesmo apenas para aqueles que se mantém os mesmos.

Se nada muda dentro de você, o amor que você sente, ou que você sofre, também não muda. Amores eternos só existem para dois grupos de pessoas. O primeiro é formado por aqueles que se recusam a experimentar a vida, para aqueles que não querem investigar mais nada sobre si mesmo, estão contentes com o que estabeleceram como verdade numa determinada época e seguem com esta verdade até os 120 anos. O outro grupo é o dos sortudos: aqueles que amam alguém, e mesmo tendo evoluído com o tempo, descobrem que o parceiro também evoluiu, e essa evolução se deu com a mesma intensidade e seguiu na mesma direção. Sendo assim, conseguem renovar o amor, pois a renovação particular de cada um foi tão parecida que não gerou conflito.

O amor não acaba. O amor apenas sai do centro das nossas atenções. O tempo desenvolve nossas defesas, nos oferece outras possibilidades e a gente avança porque é da natureza humana avançar. Não é o sentimento que se esgota, somos nós que ficamos esgotados de sofrer, ou esgotados de esperar, ou esgotados da mesmice. Paixão termina, amor não. Amor é aquilo que a gente deixa ocupar todos os nossos espaços, enquanto for bem-vindo, e que transferimos para o quartinho dos fundos quando não funciona mais, mas que nunca expulsamos definitivamente de casa.

– Martha Medeiros

Burrice

Burrice - EuGordinhaO sentimento da gente é burro. Se a gente sofre quando ama, porque insiste em amar? A gente sofre por amores não correspondidos, por amores correspondidos intensificados em ciúmes, em saudades, em tesões que parecem não ter fim. O tal do amor tem todos esses efeitos colaterais dos quais somos vitimas, ou nos deixamos ser, e ainda assim… queremos amar. Resumindo, o sentimento da gente é burro.

Mas o sentimento da gente não precisa ser inteligente, né mesmo? O pensamento precisa saber das coisas. Ao sentimento cabe é o treinamento, ser adestrado como um cavalo bravo. Mas quem há que adestre o coração? A gente precisa de mais do que adestradores. Precisamos de gente que tenha a mesma burrice sentimental e embarque com a gente nessa viagem doida de confiança, cumplicidade, comprometimento, carinho, liberdade… a gente precisa de verdade, e que a verdade seja vivida mais do que dita e ouvida. Que a verdade seja mais do que a música e a vontade de dançar, que seja a vida movendo o corpo e a alma que ama. Se houver isso, todo sentimento burro não passará de uma mera justificativa pra gente simplesmente ser feliz.

Leonardo Ladislau

Amor Burro - EuGordinha