Esquinas

Esquinas - EuGordinha

Tenho andado no meio de muita gente viva, por isso, de repente, tanta morte se acomete e tira de perto de quem conheço quem se ama. A minha relação com a morte é serena, ela pra mim é uma pequena curva na esquina. Quem cruza a rua e vai ao outro lado da calçada e segue até o fim da rua e vira e vai embora, a gente não vê mais do mesmo jeito que via antes – assim é a morte pra mim.

O coração de quem fica, fica desajeitado dentro do peito, com o peso da dor e da saudade. A cabeça pesando, lembranças podem doer. Mas a morte pra mim é como uma entrega, a gente devolve o que nos foi dado. Pra quem fica é preciso seguir adiante. Lá na frente, não muito distante, mesmo que demore mil anos, há uma curva na esquina. Não existem esquinas retas na vida. A vida tem hora que nos deixa ver essa geografia dura e real, ai de quem se negar o direito da verdade por puro medo do desconhecido. Se a gente não pode com o mistério da vida, não precisa fugir dela só por isso. A gente já foge tanto da vida por medo dela em tantas outras coisas. Não precisamos fugir do inevitável. Toda rua dá uma quebra, faz curva em algum momento. Mas é tudo só passagem. Mais adiante é que a gente vê melhor a paisagem e ai aprende a lidar melhor com o começo e fim da vida. O que importa é o meio e o recheio que a gente põe na vida. Não foi a gente quem decidiu começar com a vida, não seremos nós os responsáveis em decidir seu fim. O que nos cabe é o meio, viver, fazer a nossa parte.

P.S.: Que o Consolo divino alcance os corações dos que conheço e de quem ouço falar, os que nos últimos dias tiveram suas despedidas.

Morte - EuGordinha

Leonardo Ladislau

Riscos

Riscos - EuGordinha

– …a gente também acostuma de sentir saudades e não ser correspondida, né?

– Acho que sim, né? Só dói um pouco, mas…

– Amar pode ser perigoso.

– Viver também.

 

Saudade

Imagem

Saudade - EuGordinha

Burrice

Burrice - EuGordinhaO sentimento da gente é burro. Se a gente sofre quando ama, porque insiste em amar? A gente sofre por amores não correspondidos, por amores correspondidos intensificados em ciúmes, em saudades, em tesões que parecem não ter fim. O tal do amor tem todos esses efeitos colaterais dos quais somos vitimas, ou nos deixamos ser, e ainda assim… queremos amar. Resumindo, o sentimento da gente é burro.

Mas o sentimento da gente não precisa ser inteligente, né mesmo? O pensamento precisa saber das coisas. Ao sentimento cabe é o treinamento, ser adestrado como um cavalo bravo. Mas quem há que adestre o coração? A gente precisa de mais do que adestradores. Precisamos de gente que tenha a mesma burrice sentimental e embarque com a gente nessa viagem doida de confiança, cumplicidade, comprometimento, carinho, liberdade… a gente precisa de verdade, e que a verdade seja vivida mais do que dita e ouvida. Que a verdade seja mais do que a música e a vontade de dançar, que seja a vida movendo o corpo e a alma que ama. Se houver isso, todo sentimento burro não passará de uma mera justificativa pra gente simplesmente ser feliz.

Leonardo Ladislau

Amor Burro - EuGordinha

Cartola – Música de Qualidade

Cartola e Dona

Cartola e Dona

De vez em quando me dá uma saudade de tempos nos quais eu nunca vivi. Quando é assim eu faço o meu teletransporte pondo pra tocar as canções de antigamente. Não que naquele tempo fosse melhor do que hoje, mas tinham algumas coisas muito preciosas. A poesia e filosofia de vida presente nas canções de Cartola me levam pra um tempo assim, onde o amor era mais simples e parecia mais durável do que hoje em dia.

Hoje em dia poucos conhecem Cartola entre uns 80% dos jovens que eu conheço. Então pra não deixar passar a vida sem conhecer algo bom, estou compartilhando hoje.

Desconstruções

A gente constrói e des-constrói as pessoas, inclusive a nós mesmos. É a conclusão a que cheguei lendo o texto que segue… Daqui a um tempo a Martha Medeiros vai se tornar uma espécie de mito, como acontece com Shakespeare,  Homero, e mais recentemente Clarice Lispector… aos quais uma porção de texto é atribuído e só quem conhece mesmo pode ter certeza de que foram eles os autores. Mérito dela por escrever bem o que nos vai ao coração.

Desconstruções

Quando a gente conhece uma pessoa, construímos uma imagem dela. Esta imagem tem a ver com o que ela é de verdade, tem a ver com as nossas expectativas e tem muito a ver com o que ela “vende” de si mesma. É pelo resultado disso tudo que nos apaixonamos. Se esta pessoa for bem parecida com a imagem que projetou em nós, desfazer-se deste amor, mais tarde, não será tão penoso. Restará a saudade, talvez uma pequena mágoa, mas nada que resista por muito tempo. No final, sobreviverão as boas lembranças. Mas se esta pessoa “inventou” um personagem e você caiu na arapuca, aí, somado à dor da separação, virá um processo mais lento e sofrido: a de desconstrução daquela pessoa que você achou que era real.

Desconstruindo Flávia, desconstruindo Gilson, desconstruindo Marcelo. Milhares de pessoas estão vivendo seus dias aparentemente numa boa, mas por dentro estão desconstruindo ilusões, tudo porque se apaixonaram por uma fraude, não por alguém autêntico. Ok, é natural que, numa aproximação, a gente “venda” mais nossas qualidades que defeitos. Ninguém vai iniciar uma história dizendo: muito prazer, eu sou arrogante, preguiçoso e cleptomaníaco. Nada disso, é a hora de fazer charme. Mas isso é no começo. Uma vez o romance engatado, aí as defesas são postas de lado e a gente mostra quem realmente é, nossas gracinhas e nossas imperfeições. Isso se formos honestos. Os desonestos do amor são aqueles que fabricam ideias e atitudes, até que um dia cansam da brincadeira, deixam cair a máscara e o outro fica ali, atônito.

Quem se apaixonou por um falsário, tem que desconstruí-lo para se desapaixonar. É um sufoco. Exige que você reconheça que foi seduzido por uma fantasia, que você é capaz de se deixar confundir, que o seu desejo de amar é mais forte do que sua astúcia. Significa encarar que alguém por quem você dedicou um sentimento nobre e verdadeiro não chegou a existir, tudo não passou de uma representação – e olha, talvez até não tenha sido por mal, pode ser que esta pessoa nem conheça a si mesma, por isso ela se inventa.

A gente resiste muito a aceitar que alguém que amamos não é, e nem nunca foi, especial. Que sorte quando a gente sabe com quem está lidando: mesmo que venha a desamá-lo um dia, tudo o que foi construído se manterá de pé

Martha Medeiros

Rimas Fáceis

Rimas Faceis EuGordinha

Rimas Fáceis

Um beijo é sempre melhor do que uma lágrima.
A não ser que a lágrima seja após o beijo,
ou antes dele, ou durante o mesmo.

O desejo é sempre melhor do que a rima
A não ser que a rima seja simples
e atraia o teu olhar para o que eu vejo.

Pois quando dois olhares estão no mesmo caminho
o carinho não se perde em atalhos,
a carícia tem a malícia perfeita
que provoca prazer e alivia a dor,
evoca o amor e desmistifica a paixão.

EuGordinha

Dor