‘Pai’ da Gorda – Peça de Teatro

Também gosto de teatro embora não é sempre que estou indo. Gosto da sensação de faz de conta que eu to contando a verdade e você tá acreditando em tudo que eu digo. É um pouco parecido com o ato de escrever ou mesmo ver um filme. No fundo essa nossa relação humano com as artes é um tanto de “me engana que eu gosto”. Mas faz parte viver o lúdico.

A peça da qual quero falar é O Pai. Gente, eu ainda não vi… e não foi apenas pelo fato da personagem principal ser apelidada de Gorda pelo pai [e isso não era nada carinhoso], que me chamou a atenção. Eu ouvi uma entrevista com a atriz principal [hahaha aliás é um monólogo a peça… pra mim todo monólogo é um salto no escuro, um ato extremo de coragem], e ouvi um trecho da peça… ai ai ai ai ai, que texto poderoso. Cristina Mutarelli está de parabéns pela genialidade, pela condensação de um universo inteiro dentro de uns personagens que saem pondo pra fora na voz da atriz um mundo que habita todos nós.

Me chamou a atenção no enredo da peça o clímax da personagem, que é justamente o momento no qual nós a desvendamos em palco. Ela se decide a não ser mais o que todo mundo se agradava dela. Isso tem tudo a ver com o EuGordinha. Não precisamos viver conformados com o que querem que sejamos. Podemos simplesmente ser!

PAI
Monólogo de Cristina Mutarelli – estreia no Rio de Janeiro

Com direção de Cristina Elias e Rita Elmôr, a apresentação é um monólogo-carta direcionado a figura paterna. Elmôr sobe ao palco para interpretar Alzira Pontes Pastore, uma mulher irônica, criada em uma família chefiada por um pai tirano. Cansada de lidar com suas maldades, ela decide acertar as contas com o progenitor. Depois de passar a vida fazendo de tudo para agradar a todos, dispensa a aprovação alheia para suas atitudes.
Alzira procura o pai – já moribundo – e, sem piedade, destila todo o seu rancor. Em meio ao turbilhão de emoções e sentimentos daquele encontro, ela confessa sempre ter tido medo da figura paterna. Por isso, passou a vida procurando o amor dos outros, mesmo que isso significasse sua própria anulação. Cansada de fingir ser o que não é, a personagem faz declarações exaltadas, que ganham um tom ainda mais intenso por conta da ausência física do pai no palco. O espectador acaba confuso sobre até que ponto Alzira criou para si toda aquela história para explicar seus problemas.

Midrash Centro Cultural
Tel.: (21) 2239-2222
Sábado às 21h; domingo às 20h
Espetáculo não recomendado para menores de 14 anos
Em cartaz até 03/06/2012

Como Chegar

Katia Aragão – Caso SOLIDÃO

Pra quem curte teatro de qualidade, apresento um trecho do espetáculo Katia Conta & Canta Freud – CASO SOLIDÃO. Nesse vídeo temos a psicanalista Katia Aragão contando e cantando o caso SOLIDÃO. Texto maravilhoso, na textura, nas reflexões que nos causam. Pra quem está em Recife nesse final de semana, fica a dica.

[youtube:http://www.youtube.com/watch?v=K49q3ZOI2mY&feature=share%5D

 Segue uma reportagem sobre, retirada do FolhaPe:

Do consultório terapêutico para o palco assim é o espetáculo “Kátia conta e canta o que Freud explica”, de Kátia Aragão atriz e psicanalista pernambucana radicada em São Paulo, em cartaz no Teatro Boa Vista, nesta sexta-feira-13 e sábado-14, às 20h30. Os ingressos custam R$40 inteira e meia-entrada R$20.

O monólogo revela os quase 40 anos de experiência em escuta clinica da psicanalista Kátia Aragão que se desdobra em atriz e interprete musical. Sua bagagem profissional é transportada para o universo artístico por meio de 12 casos de divã. A cada história contada, Kátia canta uma música e faz reflexões inspiradas no pai da psicanálise. O cancioneiro popular brasileiro e a obra freudiana são os veículos utilizados pela atriz, para traduzir e levar ao público a crônica dos encontros e desencontros amorosos.

A solidão, a raiva, o desprezo de si mesmo, carência, controle neurótico, agressividade contida e dor da perda são alguns dos sentimentos tratados no espetáculo que conta com a direção de Ney Gomes. Kátia Aragão assina o texto, a seleção musical e o figurino da montagem que esteve em cartaz em São Paulo, no interior e na capital, com grande apreciação do público.