(Des)Valorizar Palavras

(Des)Valorizar Palavras

“Aprendi a estar desatenta de um modo muito valioso. Não dar atenção ao que certas pessoas dizem e ao que dizem outras pessoas. Há diferença nisso. É necessário usar um filtro. Certas pessoas vão sempre dizer o mesmo tipo de coisas e essas coisas que dizem podem ser descartadas sem o mínimo cuidado. Agora, o que dizem certas pessoas, deve ser no mínimo avaliado primeiro antes de se jogar fora.

Foi bom pra mim ter aprendido a fazer “ouvido de mercador” pra algumas coisas. Para quem não conhece essa expressão quer dizer que a gente ouve das coisas, mas elas entram por um ouvido e saem pelo outro, não ficando a fazer morada dentro de nossas cabeças. O que é bom a gente ouve e guarda, o que for ruim a gente joga fora. Isso é fazer uso do filtro. O que nos serve para o bem, para o nosso crescimento pessoal, para a elevação da nossa auto estima, isso a gente guarda. Guarda inclusive algumas verdades que podem ser ditas e de modo duro acabam machucando a gente por dentro, porque essas tais coisas podem ser a revelação de algo em nós que não é tão agradável de se ter. Se esse algo nos causa algum tipo de prejuízo e se quem diz o faz na intenção de nos ajudar a mudar de vida, melhor ainda… embora nem por isso menos dolorido.

Então, foi bom pra mim ter aprendido a valorizar e desvalorizar as palavras que ouvia a meu respeito. Foi muito bom deixar de ouvir algumas coisas que me diziam, pois simplesmente não eram verdade. Hoje em dia sinto que vivo bem melhor.” (Gaia, no romance EuGordinha)

Liberdade de Ser

Liberdade de Ser - EuGordinha

“É muito bom quando você conquista a liberdade de ser quem você é realmente independente do que os outros dizem ou pensam. Quando isso acontece parece que toda a vida de antes foi de uma outra pessoa. Mas quando você percebe que ainda existem algumas dores, pequenas feridas ainda frescas precisando de tratamento e cicatrizes que já não doem mas só fazem lembrar de batalhas que você já enfrentou; ai, então, você vê que você é quem realmente é e ainda tem uma porção de coisas pra conquistar.” (D.Nair – no romance EuGordinha)

Inimigo de Si

Inimigo de Si mesmo - EuGordinha

“Quem nos torna os piores inimigos de nós mesmos, geralmente são os outros. A gente só se deixa levar pelo jogo sujo e sofre terrivelmente as consequências.” (Dona Nair)

Chove em mim (Trecho de Romance)

Acho que vou compartilhar um trechinho do meu diário. Afinal de contas o povo gosta de fuxicar a vida alheia mesmo, então vou expor um pouquinho a minha, porque a dos outros só me importa saber e guardar comigo, tenho segredos muito bem guardados, muitos inúteis, mas tudo bem.

Esse trecho conta a história de um sorriso que eu ganhei e de um beijo molhado…

Era Abril e eu disse…

Descobri que eu gosto muito da erudição dele, desse ar de quem sabe das coisas, mesmo que eu saiba que ele seja bem burrinho de vez em quando. O tanto que ele sabe das cosas da vida me faz me sentir segura, como se por detrás das coisas que ele soubesse houvesse um médico que desvendasse na flor que apanha pelos canteiros dos jardins um remédio pra momentos de tédio, um alquimista que transformasse em ouro as pedrinhas arredondadas que a gente acha na praia à beira mar, um astrônomo que medisse a distância do cosmo no brilho de meus olhos… enfim, alguém muito profundo em quem dá pra mergulhar quando preciso e seja ao mesmo tempo simples, como um gole d’água que a gente trás da caçamba quando puxa a corda de um poço.

– Olha, o riso é como um trovão antes, ou durante a chuva… Ele me disse, apontando com o dedo na página do livro que dizia assim:

Bergson escreveu: “O riso é algo que irrompe num estrondo e vai retumbando como o trovão na montanha, num eco que, no entanto, não chega ao infinito”. O sorriso, pelo contrário é silencioso como chuva mansa que cai e fertiliza a terra ou como brisa suave que acaricia e refresca o rosto. Enquanto o riso é extroversão, o sorriso desvenda delicadamente o interior de quem sorri

Ai eu olhei ele bem de perto, passei o dedo no seu rosto, descendo da testa, passando pelo nariz e dando um salto nos lábios:

– então faz chover em mim…