Cada Semente Tem Seu Fruto

Cada semente tem o seu devido fruto. Ainda que pro fruto possamos entender “resultado”, ainda que seja apenas uma planta em si, com sua folhagem, com ou sem flores tão visíveis e vistosas… enfim. Cada semente guarda dentro de si o projeto de algo por vir, se for devidamente plantada e cultivada. Algumas ideias podem ser plantadas no pensamento, cultivadas na mente ao longo de um tempo e podem dar frutos nas emoções e vontades, de modo que as nossas atitudes venham acabar espelhando por fora o que está sendo produzido dentro de quem somos. Já parou pra pensar em quais tipos de sementes andam sendo plantadas dentro de ti? Foram sementes que você mesma escolheu ou lhe deram sem perguntar por sua vontade? Quais tipos de frutos você quer estar colhendo e desfrutando? Quais frutos não quer nem mais provar o sabor e até mesmo não vê-los mais em seu interior?

 

Anúncios

Dieta da Alma

Nutricionistas dizem que somos o que comemos. Eu digo que somos a mistura do que sentimos, pensamos e queremos – pois a mistura disso tudo é a nossa alma.Nossa alma tem sede e fome de muitas coisas, temos carência de muitas coisas, inclusive coisas emocionais. Achei um texto bem propício pra minha vida no momento e pra vida de umas pessoas que conheço então resolvi compartilhar.

Dieta da Alma

atribuido a Marta Medeiros

Arroz, feijão, bife, ovo. Isso nós temos no prato, é a fonte de energia que nos faz levantar de manhã e sair para trabalhar. Nossa meta primeira é a sobrevivência do corpo. Mas como anda a dieta da alma?

Outro dia, no meio da tarde, senti uma fome me revirando por dentro. Uma fome que me deixou melancólica. Me dei conta de que estava indo pouco ao cinema, conversando pouco com as pessoas, e senti uma abstinência de viajar que me deixou até meio tonta. Minha geladeira, afortunadamente, está cheia, e ando até um pouco acima do meu peso ideal, mas me senti desnutrida. Você já se sentiu assim também, precisando se alimentar?

Revista, jornal, internet, isso tudo nos informa, nos situa no mundo, mas não sacia. A informação entra dentro da casa da gente em doses cavalares e nos encontra passivos, a gente apenas seleciona o que nos interessa e despreza o resto, e nem levantamos da cadeira neste processo. Para alimentar a alma, é obrigatório sair de casa. Sair à caça. Perseguir.

Se não há silêncio a sua volta, cace o silêncio onde ele se esconde, pegue uma estradinha de terra batida, visite um sítio, uma cachoeira, ou vá para a beira da praia, o litoral é bonito nesta época, tem uma luz diferente, o mar parece maior, há menos gente.

Cace o afeto, procure quem você gosta de verdade, tire férias de rancores e mágoas, abrace forte, sorria, permita que lhe cacem também.

Cace a liberdade que anda tão rara, liberdade de pensamento, de atitudes, vá ao encontro de tudo que não tem regras, patrulha, horários. Cace o amanhã, o novo, o que ainda não foi contaminado por críticas, modismos, conceitos, vá atrás do que é surpreendente, o que se expande na sua frente, o que lhe provoca prazer de olhar, sentir, sorver. Entre numa galeria de arte. Vá assistir a um filme de um diretor que não conhece. Olhe para sua cidade com olhos de estrangeiro, como se você fosse um turista. Abra portas. E páginas.

Arroz, feijão, bife, ovo. Isso me mantém de pé, mas não acaba com meu cansaço diante de uma vida que, se eu me descuido, torna-se repetitiva, monótona, entediante. Mas nada de descuido. Vou me entupir de calorias na alma. Há fartas sugestões no cardápio. Quero engordar no lugar certo. O ritmo dos dias é tão intenso que às vezes a gente esquece de se alimentar direito.

Martha Medeiros