Das Relações Virtuais e Seus Percalços

Quão doce e amarga pode ser a distância que o mundo virtual proporciona...

Quão doce e amarga pode ser a distância que o mundo virtual proporciona…

Talvez os relacionamentos virtuais, à distância, funcionem melhor quando as pessoas já se conhecem pessoalmente, quando as pontes já foram feitas na vida real, antes de entrar na vida virtual. Nota: Quando digo “vida real” trato da vida na qual vivemos sem dispositivos eletrônicos e sem internet; a vida virtual é aquela filtrada pelos dispositivos e pela disponibilidade de algum tipo de internet pra fazer a conexão.

Viver a vida real é bem melhor apesar de todas as costumeiras limitações. Não estou falando mal dos relacionamentos virtuais com intuito de desestimular as pessoas a respeito disso. Eu respeito a vida virtual tanto quanto a vida real – não querendo dizer que a virtual não seja real. Mas a realidade da vida virtual, e mais especificamente dos relacionamentos virtuais, pode ser muito difícil – talvez um tanto mais do que os relacionamentos reais. Sei que alguns me dirão: a dificuldade está nos relacionamentos em si, virtuais ou não. É verdade, temos sido muito complicadinhos, nós seres humanos. Os meios virtuais só intensificam isso.

O ver fotos, e ler estados emocionais ou fatos cotidianos na vida de quem nos toca por dentro de alguma forma, suscita uma multidão de emoções que de vez em quando se cristalizam em algo mais palpável mesmo sem ser, os tais sentimentos. Um sentimento é como se fosse a emoção cristalizada; é como se um sentimento fosse um diamante, o diamante formado de uma emoção lágrima derramada. Será que estou conseguindo ser claro nas minhas comparações? Por mais efêmera e frágil que a vida virtual seja, ela é tão real quanto a outra.

A intensidade com a qual algumas emoções podem surgir é ao mesmo tempo algo que pode ser agradabilíssimo e ao mesmo tempo muito desgastante. Ansiedade, saudade, ciúme, afeto, carinho, tesão, preocupação, amor, paixão e tudo isso que rola em relacionamentos pode acontecer em proporções surreais – #SQN (Só que não) é surreal, é tudo muito real. A (des)vantagem da vida virtual é que a dor está relativamente fácil de ser eliminada quando pensamos na possibilidade de deletar o que nos cause mal, bloquear ou excluir o que venha se tornar um problema. Fica valendo o dito: “Longe dos olhos, longe do coração”. Ai a gente corre o risco de banalizar as emoções e sentimentos e consequentemente um aspecto da vida muito importante. Porque parte de nós é emocional e não apenas conceitos e ideias racionais e lógicas.

É difícil manter contato o tempo todo com quem gostamos procurando transmitir tudo o que sentimos quando a vida meio que impõe certas obrigações. Eu odeio, por exemplo, uma frase que tem suas variações mas diz mais ou menos assim: “…quem realmente se importa dá um jeito, se esforça e tal pra dizer o quanto você é importante”. É fato que nem todos se expressam na mesma velocidade e ritmo que a vida virtual insiste em nos impor como se fosse esse o ritmo natural da vida. Hoje em dia não é tão fácil acharmos pessoas com as emoções amadurecidas, em termos de saber lidar com ansiedades e reconhecendo a diferença entre o que realmente é fugaz do que pode durar. Vive-se o “que seja eterno enquanto dure”, o “se permita”, o “se joga” e veja o que acontece. Assim como as conexões ultra rápidas, quer-se um amor (ou melhor uma relação seja de qual tipo for) que aconteça expressamente. Quer-se que após uma conversa de poucas horas toda a vida seja desvendada a tal ponto de dar condições ao outro de decidir ser o homem ou mulher da sua vida, vindo satisfazer todas as suas vontades e anseios. Os meios virtuais nos passam a ilusão de que tudo o que precisamos para vida está disponível e ao nosso alcance, só cabendo a nós agir de maneira tal a conseguir. Alguns de nós, estão se coisificando na tentativa de ter o outro como sua coisa, sua propriedade particular e íntima, sua satisfação.

Estou meio que desabafando, sim. Tenho meus percalços virtuais, profundos ou não, em termos de vida emocional, sejam nas amizades ou em algo mais sério. Quem não tiver tido problemas com uma palavra mal interpretada, uma ausência por motivo de trabalho, estudos, doença ou falha na conexão ou ausência dela por situação geográfica ou financeira… que atire a primeira pedra. Hoje em dia, em meio as atividades que temos de fazer pra conseguir o tal $ que nos garanta o pão de cada dia, em algumas situações, alguns relacionamentos nossos ficam prejudicados (tanto os virtuais, os distantes, como os próximos). A vida tem ficado aparentemente muito corrida, a mudança das coisas têm nos empurrado pra fora de uma linha mais suave de vida. É por isso que eu gosto de refletir sobre as coisas, pensar nelas como se fossem objetos os quais você pode pegar e olhar, mudar de lugar, ver onde melhor se encaixam, pra fazer a vida valer a pena. Mas nem sempre o tempo de resposta é adequado – nem sempre dá tempo de corresponder a tudo o que a vida aparentemente requer de nós… e as pessoas também… Não dá pra agradar a todos o tempo inteiro, não dá pra se agradar a si mesmo o tempo inteiro. No caminhar da vida, no se relacionar consigo mesmo e com os outros, (seja virtualmente ou não), há percalços. Deixo então um aviso aos caminhantes…

Como perder amigos na vida real: Compartilhando muitas fotos no Facebook!

Facebook Prejudica Relacionamentos - EuGordinha

Todos sabem que receber uma enxurrada de fotos de um amigo na timeline o tempo inteiro é extremamente chato, mas agora um estudo comprovou que isso pode afetar relacionamentos na vida real. Pesquisadores descobriram que aqueles que costumam postar muitas fotos de si mesmos no Facebook correm o risco de prejudicar suas relações com seus amigos, parentes e colegas no mundo real.

Uma equipe da Universidade de Birmingham, na Inglaterra, contou com informações fornecidas por 508 usuários do Facebook para chegar ao resultado da pesquisa, que sugere que o excesso de compartilhamento de fotografias na rede de Mark Zuckerberg pode levar a uma diminuição na intimidade entre as pessoas.

Por exemplo, postar muitas fotos de amigos pode afetar negativamente a intimidade de um casal, de acordo com o estudo. “Nossa pesquisa mostra que esse excesso de fotos pode danificar os relacionamentos na vida real. É que as pessoas, com exceção dos amigos muito próximos e parentes, não parecem se relacionar bem com quem compartilha constantemente fotos de si”, explica David Houghton, um dos autores da pesquisa. É claro que os amigos mais próximos tendem a compreender melhor as atitudes do outro, até porque eles têm mais liberdade para xingá-lo quando achar que sua timeline está sendo entupida por fotos desnecessárias.

E se você faz parte do grupo de pessoas que adora compartilhar com o mundo todas as fotos do seu último passeio ao parque, de todos os cafezinhos que toma durante o dia, e assim por diante, é bom tomar cuidado para não acabar sem amigos (também) na vida real.

Via http://canaltech.com.br/

Onde Realmente Estamos

Às vezes, nós estamos “em casa” e realmente não estamos. Diante de um computador com internet a gente viaja pra longe, pelo Brasil e pelo mundo afora. Entramos na tal aldeia global, onde nos encontramos com amigos e afins… de perto e de longe. A impressão que algumas pessoas têm a nosso respeito é que realmente não estamos em casa… Isso pode não ser nada legal pra os outros… e pra nós também.